Chegou 2019, o ano das avaliações. Setembro será crucial para o futuro da Madeira e Porto Santo. Votar é a única possibilidade que temos para indicar o que queremos para o nosso futuro e está a chegar a hora de dizermos o que pensamos sobre esta governação.

A situação política está instável e engane-se quem acha que isto está ganho. Em Setembro, o PSD-Madeira será julgado em relação àquilo que fez nos últimos 4 anos e ganhará quem der mais esperança no futuro e demonstrar ter mais competência para governar.

O caminho trilhado por este Governo sob orientação do PSD-Madeira não augura um bom resultado e a sondagem publicada ontem no Diário de Notícias é prova disso.

Como chegamos a este ponto? Esclareço.

Criticar não é trair e este PSD-Madeira não percebeu isto. As divergências políticas entre os homens são respeitáveis e devem respeitar-se. Só há liberdade de pensamento político se cada um exprimir as suas ideias e confrontá-las para melhores caminhos governativos. A liberdade é o bem mais precioso que cada ser humano tem. Foi esta a essência do 25 de Abril em Portugal. Este caminho é o mais difícil e até pode parecer mais ineficaz e moroso, mas, na verdade, esta é a única forma de governar em democracia para que as pessoas se sintam bem onde vivem.

A auto-castração infligida ao próprio partido logo após as últimas diretas e toda a campanha desenvolvida contra militantes de valor durante este tempo, apelidando-os de derrotados e de ressabiados, vai demorar tempo a sarar e não é com uma nova “imolação” de militantes que se vai lá. Lembro que em qualquer organização o principal responsável é sempre o líder.

Este “novo” PSD-Madeira que hoje toma posse quer “chamar novas pessoas e quer garantir a união entre todos” mas terão estas “novas pessoas” a coragem para dizer ao líder o que é preciso ser dito, ou serão também eles usados para conquistar votos e depois deitados fora? O que nos dizem os seus comportamentos?

Passarão a ouvir as pessoas, os militantes e a perceber o que se escreve na comunicação social? O que se assiste na legião de perfis falsos e de comentários de militantes de “relevo” é que se continua a optar por criar “inimigos externos” e a definir “alvos a abater”.

De tanto enganar e de tanto prejudicar, quem irá agora acreditar que se virou uma página na história do PSD? Como esperar lealdade se não foram leais? São como uma família? Mas esqueceram-se que colocaram pessoas contra pessoas, ensinando-as e incentivando à falsidade entre amigos? E agora?

A crise do PSD-Madeira é uma crise de confiança e este congresso agora realizado não muda nada. Confiança conquista-se com o tempo e com atos. Tempo que acredito que o PSD-Madeira já não tem até Setembro. O PSD-Madeira está preso à estratégia montada porque cometeu o pior erro de todos – minou a confiança dos militantes nas suas relações interpessoais de partido.

O Povo quer um governo eficaz, competente e prestigiado, que dê resposta imediata aos seus problemas concretos. Este último governo não foi capaz de demonstrar que tinha quadros capazes para auxiliar na governação. Demonstrou demasiado amadorismo, desconhecimento do funcionamento do Governo, demasiada incompetência e ignorância associada a uma arrogância dispensável.

O Povo está farto de desorganização e de projetos despesistas apenas para comprar votos. O Povo está atento aos empréstimos que este Governo anda a fazer e receia futuros cortes salariais. O Povo tem consciência das contas públicas e está atento a todos os apoios que se concedem. Percebe as prioridades concedidas na Segurança Social e está cansado de andar a sustentar um sistema que favorece a manutenção de “subsídio-dependentes”.

Quem terá a lucidez de perceber o que se quer para o futuro e quem terá a capacidade de dar esperança? Que haja um mínimo de honestidade e clareza política para que a campanha que se avizinha não seja de baixo nível sem a discussão das ideias para o nosso futuro. Que saibamos discernir o que realmente é promessa da pura mentira eleitoral.

O que se assiste, leva-me a acreditar que o PSD-Madeira precisa de preparar-se para fazer oposição. Ser oposição é igualmente digno e “o pluralismo político é condição essencial de aprendizagem da humildade, sempre difícil para quem exerce o poder, e também garantia de fiscalização atenta para quem é governado” (Francisco Sá Carneiro).