- Meu amigo, não vejo chegar o dia e a hora de embarcar. Vou para o Porto Santo descansar!

- Descansar? Para te ser franco, acho que é chique dizer, vou descansar para o Porto Santo.

-Tens razão, é uma força de expressão.

- Para te falar com sinceridade, não te via a integrar uma excursão de um lar de 3ª idade.

- Isso é verdade, mas deixa ficar que a minha situação não foge muito dessa realidade. Com tantos anos de casado, já não tenho nada para “descobrir”, o que mesmo quero é nadar, comer, sentar-me a ouvir anedotas para rir.

-É verdade. Lá se foi a nossa mocidade. As vezes até me apetece rasgar o maldito do Bilhete de identidade!

- Tens razão,” raios partam” o cartão de cidadão!

- Mas como isto está tudo mudado! A gente vê cada “rebuçado”... não há velho que não fique arregalado!

- Que mal fizemos a Deus na outra encarnação, para ELE nos fazer nascer com tanta antecipação.

- Eu penso que Deus devia ter ficado tão ofendido, e, por castigo, entregou a nossa alma ao diabo, que por sua vez despachou-a a toda a pressa para este mundo desgraçado.

- E se assim foi, fomos bem castigados. Bem podíamos estar agora na flor da idade e a aproveitar este comboio da liberdade.

- Pois, estarmos integrados neste novo conceito de amizade, onde os conhecidos são amigos, os amigos são namorados, os namorados fazem vida de casados e os casados tudo fazem para serem...divorciados!

- Agora é que disseste uma verdade. Ai quanto eu daria para me tirarem uns 20 anos do Bilhete de Identidade!

- Sim, mas com os “aparelhinhos” todos a funcionar de acordo com a nova idade.

- Claro, tudo dentro do prazo de validade.

- Pois, meu amigo, isso era bom de verdade, mas temos que olhar à realidade. O tempo não volta atrás, não regressamos à idade de rapaz. Mas temos ainda os nossos atributos que usados de acordo com a nossa idade ainda nos dão muitos momentos de felicidade.

Portanto, vai ao Porto Santo, a essa TERRA ABENÇOADA junta-te `a velha “rapaziada” e canta os versos seguintes em homenagem ao tempo da nossa mocidade passada:

“Porto SantoTeu nome fica-te bem

O que aí vivi foi tanto

E ninguém soube, nem minha mãe.

Nas Noites Lindas

De nostalgia e luar

O que mais me apetecia

Era ir para a cama... descansar!!

Juvenal Pereira