Já me perguntaram, em diversas ocasiões, porque fazia política. Por vezes, sou eu mesmo quem coloca a questão porque afinal, tenho uma vida organizada, uma família de que me orgulho, uma profissão que me permite viver, amigos que não estão minimamente ligados à política partidária. Não seria mais fácil deixar a vida pública, prosseguindo num confortável anonimato, colaborando em causas sociais, ou outras quaisquer, tendo mais tempo disponível para aqueles de quem mais gosto? Talvez fosse mais fácil. Talvez. Mas, seria mais útil para a minha comunidade? Não me parece. Eis a resposta, sendo certo que um coisa devo deixar clara: não estou na política numa espécie de missão de sacrifício. Quero ser útil, quero contribuir para a minha comunidade, pondo ao seu serviço as minhas ideias, os meus valores, as minhas propostas e, modéstia à parte, a minha capacidade de ouvir e de dialogar, mas não faço disso um sacrifício. Na verdade, gosto do combate político. Gosto do debate. Gosto de confrontar e de ser confrontado. Com as minhas certezas. Com as minhas dúvidas. De forma assertiva mas leal. Quando deixar de me sentir confortável neste papel, bato com a porta e saio porque não tenho e não quero ter clientelas ou redes de dependência a quem tenha de mostrar serviço.
Mas este texto não é sobre mim. Pelo menos, eu não gostaria que fosse sobre mim. É sobre o meu partido. Mas também sobre aqueles que têm a paciência de me ler. Sobre o meu partido começo por dizer que pelo menos um legado quero deixar: quero um CDS à procura de ser útil. Quero um partido feito de gente que não tenha da política uma ideia de sacrifício. Quero um partido que goste do debate. Que não se esconda. Que seja firme na defesa daquilo em que acredita. Que seja leal. Que seja capaz de ouvir, de aceitar a critica mas também de ser, ele próprio, capaz de fazer uma autocrítica constante. Havemos de lá chegar. Por ora, estamos no bom caminho e penso que isso é notório, através das propostas que vimos apresentando, através das críticas construtivas que vimos fazendo, através da dinâmica que começamos a imprimir às nossas ações políticas. A direção anterior fez um trabalho de transição. Difícil. Hoje, estamos a recomeçar o caminho da plena afirmação enquanto alternativa de governo na Região Autónoma da Madeira, que não deve estar condenada a ter de escolher entre a perpetuação do PSD e uma espécie de geringonça de esquerda e de extrema esquerda, que já deu mostras de ter sérias dificuldades em governar e em cumprir as promessas que faz, ao virar de cada esquina. O caminho da afirmação faz-se também consigo, caro(a) leitor(a) Queremos ouvi-lo(a). Queremos que nos elogie mas também que nos critique. Queremos que participe. Gostaríamos que nos ouvisse, sem preconceitos e sem amarras ideológicas ou de qualquer espécie. Queremos incentiva-lo(a) a participar na vida pública. Vote ou não em nós. Incentiva-lo(a) a estar atento(a), a não se deixar embalar por velhos e novos profetas. Queremos contar com a sua participação. Queremos merecer poder contar consigo. Nos próximos meses, apresentaremos um conjunto de iniciativas que pretendem ir ao encontro dos cidadãos, que pretendem ouvir a sociedade da Madeira. Não o faremos para as páginas dos jornais ou para as notícias da televisão. Não gastaremos fortunas em espetáculos cujos participantes não são mais do que aqueles que já estão convencidos. Isso não é útil. Isso não é ser útil. Fá-lo-emos privilegiando a qualidade da discussão e a sua utilidade. Privilegiando o apelo à participação dos nossos militantes e dirigentes mas sobretudo, de gente nova nestas coisas dos “partidos”. De cidadãos que queiram dar o seu contributo. Sem encenações ou perguntas previamente combinadas. Deixo-lhe assim um convite: esteja atento aos nossos próximos passos. Julgue por si se poderão, ou não, ser-lhe úteis a si e à nossa comunidade. Porque no fundo, este texto é sobre a política e a sua utilidade.