O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu hoje uma “política patriótica” para o sector do leite português, considerando que o mesmo deve ser “mais protegido”.

“É um imperativo nacional e estratégico, por onde também passa o patriotismo na defesa do que somos bons e das nossas potencialidades, mas que colide com os interesses das grandes distribuidoras e das orientações políticas da União Europeia”, disse o líder comunista, que falava aos jornalistas durante uma visita à feira agrícola AgroSemana, na Póvoa de Varzim.

Tecendo elogios à capacidade produtiva do sector leiteiro, Jerónimo de Sousa sublinhou que “é um sector auto-suficiente, que é um bem maior num quadro de tantos défices estruturais” que existem em Portugal.

“Seria dramático que tivesse uma situação de retrocesso e até de liquidação de milhares de produtores”, alertou o secretário-geral do PCP.

Nesse sentido, Jerónimo de Sousa considerou que Portugal “deve produzir mais e defender as potencialidades que já existem em termos produtivos”, não permitindo que o sector do leite “possa estar a morrer aos poucos”.

“É conhecido o justo descontentamento dos produtores pelo preço a que vendem o leite. Consideramos que é importante uma intervenção das instituições como o Governo, Assembleia da República e Parlamento Europeu, que respondam a questões centrais, como a regulação da produção nacional”, instou Jerónimo de Sousa.

O líder do PCP considerou que é preciso ter “solidariedade” e “responder aos anseios dos produtores”, lembrando que “há uns anos eram mais 90 mil e agora são cerca de seis mil”.