Grande parte da entrevista, publicada no DN a 15/8, trata das contingências associadas ao fluxo de turistas para a Madeira.

Se tivesse lido adequadamente, teria constatado que jamais digo que a performance do turismo da Madeira depende destas ou daquelas causas.

O que eu disse e repito, é que a captação de turistas para a Madeira depende muito mais de factores exógenos ao destino.

O que é algo completamente diferente e não vale a pena confundir.

Depois debrucei-me nas questões da mobilidade aérea, do POT/número de camas/AL e, por fim, da taxa turística. Que foram as colocadas.

Daí não me ter referido aos recursos humanos que entram, posteriormente, digamos, na operação hoteleira propriamente dita.

Já dei entrevistas para jornais onde enalteci os recursos humanos. Recomendo a leitura de uma que foi publicada no suplemento das 500 Maiores do DN em Novembro de 2016. Em cerca de 2/3 da mesma, elogio e agradeço a competência, capacidade e empenho dos nossos colaboradores.

Já agora posso afiançar-lhe que no Pestana Hotel Group tudo fazemos para que os nossos colaboradores vão, diariamente, trabalhar com satisfação e boa disposição.

Para tal, providenciamos as melhores condições possíveis, incluindo materiais.

3 exemplos:

- Retribuímos com uma “remuneração mínima Pestana” que é superior ao salário mínimo regional;

- Partilhamos parte dos bons resultados da hotelaria com nossos colaboradores - Nos últimos anos atribuímos à generalidade prémios que ascendem a aproximadamente um mês de remuneração;

- Gratuitamente, atribuímos um seguro de saude a todos os colaboradores efectivos.

Por alguma razão nos inquéritos e estudos de opinião a nível nacional, o Pestana Hotel Group surge quase sempre no top (e sempre em 1 lugar no sector do turismo) como uma organização em que as pessoas estão satisfeitas no local de trabalho e/ou em que desejam trabalhar.

Para rematar e porque se referiu ao Pestana Vintage no Porto, posso garantir-vos que o lucro por quarto é, neste momento, aproximadamente, o dobro dos nossos hotéis da Madeira. Não, a Madeira não é a tal “vaca leiteira” a que grosseiramente alude.

Não é porque o produto seja melhor (vários dos nossos hotéis na Madeira custaram bem mais, por quarto, que o Pestana Vintage), nem porque tenhamos colaboradores com melhores condições no Porto (em Portugal temos retribuições iguais para colaboradores da mesma categoria) que a performance do Pestana Vintage é melhor que a dos hotéis da Madeira.

Tem sobretudo a ver com o preço e a ocupação que alcançamos, neste momento, nos nossos hotéis do Porto e que, infelizmente, não conseguimos na Madeira, porque não há aqui a procura que ora sobra no Porto, para pagar pelo alojamento a preço bem superior.

Mas nem sempre foi assim. Há uns anos atrás os nossos hotéis da Madeira tinham muito maior rendibilidade por quarto que os do Porto. O turismo é feito dos tais ciclos que refiro na entrevista. Nada garante que amanhã o Porto continue bem acima da Madeira. Também lá, o céu não é o limite.

No Porto, há um antes e um depois da Ryanair. A cidade era a mesma. Os hotéis eram os mesmos (claro que entretanto surgiram outros, mas o Pestana Vintage já existia antes da Ryanair chegar ao Porto). Até os colaboradores dos hotéis não eram melhores que os actuais.

O que mudou foi a sua acessibilidade aérea. Aumentou-se fortemente o número de voos de muito mais diferentes aeroportos com destino ao Porto. A preços “low cost”. Lá como cá, a acessibilidade aérea é o factor crítico do sucesso do destino turístico.