Agora que sou líder do CDS Madeira, poderia começar este texto dizendo que se o meu partido chegar ao poder os madeirenses viverão felizes para sempre, porque nós é que sabemos. Porque eu e os meus é que sabemos. As respostas - ah, as respostas! - estão em nós, continuaria eu, esquecendo-me, conveniente ou inconvenientemente, que não, não estão. Nem em nós, nem em partido nenhum.

Estão em si, que me lê. Em si. Os partidos fazem parte de um conjunto social e é nesse conjunto que devem ser encontradas as perguntas e as respostas. Os problemas e as motivações. Os obstáculos e o caminho plano. Nesse sentido, aquilo que os partidos e que os agentes políticos devem fazer é ter abertura para ouvir. Para entender e só depois apresentar as suas soluções. Se não têm mecanismos para o fazer, devem cria-los.

Pois bem, eu poderia começar este texto dizendo que se o meu partido chegar ao poder... não o vou fazer: estaria a ser desonesto convosco. Prefiro estabelecer alguns compromissos. Simples e diretos. O primeiro é contribuir para tornar o CDS um partido mais aberto, mais capaz de ouvir e de atrair quadros da sociedade civil. Atrair novas competências e suscitar o debate, através do confronto com visões novas, para problemas que em muitos casos, também são novos. Permitam-me que vos diga que já comecei, discretamente, a fazê-lo. Mais de 70% da Comissão Política Regional é nova, constituída por quadros qualificados e bem preparados. A eles, juntei os presidentes das nossas concelhias, que são por inerência membros do principal órgão do partido e representam as nossas bases. A eles, juntei também quadros nossos, gente que há anos – ou décadas – dá a cara pelo CDS na Madeira; quase 50% da Comissão Política Regional é constituída por mulheres. Não para preencher quotas. Sim porque lhes reconheço mérito. Há quem diga que defende a paridade. Nós, sem o enunciar aos quatro ventos, pusemo-la em prática. Para, repito, tornar o nosso partido mais aberto e com maior capacidade de resposta. Para estarmos próximos.

Mas o caminho é longo e não será fácil. Haverá quem não entenda. Paciência. Continuaremos em frente, porque aquilo que queremos é ir ao encontro dos cidadãos, criando uma alternativa de governo válida. Com os cidadãos e não agindo como se o fizéssemos por eles, sem sequer saber onde eles estão e sem os escutar. É este o segundo compromisso que assumo hoje, ou seja, ouvir antes de decidir. Ouvir o partido mas também as pessoas. Ouvir antes de formular opiniões definitivas. Sair do gabinete. Falar convosco.

O terceiro compromisso não exige grande contextualização. Eu não dependo da política. Tenho o meu emprego e a ele voltarei – ficando ainda com mais tempo para a minha mulher e para os meus filhos - quando não me quiserem. Tenho do exercício da política uma visão de serviço público e quero mantê-la. Quero estar aqui para servir e não para ser servido. É isso. É esse o compromisso.

Com o meu pai aprendi muitas coisas, mas uma das principais relaciona-se com a necessidade de agir sobre o real, e não apenas dizer que se quer agir. É preciso trabalhar e não apenas dizer que se quer trabalhar; é preciso mostrar apreço e não apenas dizer que se aprecia; é preciso mostrar coragem e não apenas dizer que se é corajoso; é preciso ser humilde e não apenas professar a humildade; é preciso ouvir e não apenas dizer que se ouve; é preciso rir de verdade e não fingir que se ri; é preciso cumprir e não apenas prometer; é preciso viver e não apenas fingir que se vive. Este é o meu quatro compromisso. Agir. Sempre. Sem procurar a aprovação das redes sociais, sem procurar unanimismos que muitas vezes não passam de tática mal escondida, sem querer aplausos generalizados. Comprometo-me a agir. É tão simples como isso.

Reconheço, quero que o CDS seja relevante. Para isso, repito aquilo com que me comprometo, pois só assim será possível pedir o seu voto: sair do gabinete e ir ao encontro dos cidadãos; ouvir antes de decidir; servir e não ser servido, mantendo da política a visão de serviço público; agir e não fingir que quero fazê-lo. Nas eleições, sinta-se livre para me confrontar com o cumprimento ou incumprimento destes compromissos.