O Governo Regional quer internacionalizar as Artes Plásticas na Madeira e para isso vai investir numa galeria na Quinta Magnólia, que deverá reabrir no próximo ano com novos motivos de interesse. A aposta nesta área foi assumida ao início da tarde de hoje pelo presidente à margem da assinatura de um conjunto de apoios ao sector cultural.
Nas grandes linhas para esta área, Miguel Albuquerque assume que nas artes plásticas há trabalho a fazer. “Neste momento nós temos que melhorar aqui um aspecto, que acho que vamos fazê-lo, que é internacionalizar um pouco as artes plásticas. É importante para nós termos um contacto com o exterior”. O presidente do Governo realça o importante papel do MUDAS – Museu de Arte Contemporânea da Madeira, reconhecendo que não é suficiente e que é preciso uma galeria para assegurar, como existia anteriormente no Turismo, exposições periódicas que façam a ponte com o exterior. Será casa-mãe da reabilitada Quinta Magnólia. “Vamos criar ali um espaço muito importante para termos nessa galeria não só exposições de artistas locais, mas para garantir um programa anual de artes plásticas, pintura, escultura, com artistas de renome quer nacionais, quer internacionais. Eu penso que é fundamental suprirmos essa lacuna, é uma lacuna que temos constatado. Na música isso não tem acontecido, mas nas artes plásticas isso é fundamental termos neste momento a criação de públicos no âmbito das artes plásticas”, assumiu.
Haverá mais motivos de interesse na Quinta Magnólia, que se tudo correr bem deverá reabrir no início de 2019. Neste momento está a decorrer a reabilitação da casa principal e os arranjos nos jardins. Estão a trabalhar nos campos de ténis e de paddle. Haverá ainda áreas para iniciação ao golfe, parques infantis, animais soltos nos jardins, como galinhas e porquinhos-da-Índia, para ajudar a fixar as famílias. Entre as novidades, revelou o presidente do Governo, vai ter um jardim de homenagem a Maria do Carmo Rodrigues. “Eu próprio vou desenhar o jardim”.
Quanto aos apoios à cultura, hoje foram assinados alguns dos cinco contratos-programa destinados a financiar o funcionamento do mesmo número de instituições e dos quatro protocolos de cooperação com vista a apoiar projectos pontuais, num valor total de 183.500 euros. Esta foi a segunda sessão de distribuição de apoios nesta área. Há ainda uma terceira fase que está a decorrer e à qual estão a concorrer mais dez entidades.
Os apoios são anuais e estão nesta fase nos 325.000 euros. Foram contemplados com protocolos a AFERAM - Associação de Folclore e Etnografia da Região Autónoma da Madeira (15.000); Rodrigo Barbosa (2.500); a Associação de Bandolins da Madeira (15.000) e a Associação Grupo de Teatro de Machico (7.000); e com contratos-programa a Porta33 - Associação Quebra Costas Centro de Arte Contemporânea (20.000); o Recreio Musical União da Mocidade (20.000); a Associação Musical e Cultural Xarabanda (20.000); o Teatro Feiticeiro do Norte - Associação Cultural (20.000) e o Museu de Arte Sacra do Funchal (64.000).
“Estamos a garantir o princípio da liberdade criativa”, defendeu o presidente do Governo. “Nós entendemos que as políticas sejam concretizadas e que tenham consequências”, acrescentando que a política de ensino das artes nas escolas que tem tido consequências “extremamente positivas”. Hoje, diz, é raro o jovem estudante na Madeira que não tem aulas ou que não sabe tocar um instrumento e são muitos os músicos e solistas. “Através dos currículos escolares ministramos a educação para as artes e para a cultura, mas simultaneamente garantimos também, através dos apoios às instituições nas suas mais diversas áreas, a liberdade criativa”.
O 1% do orçamento em apoios à cultura é relativo, entende o chefe do executivo madeirense. “Depende do que é o orçamento”, e defendeu que é mais importante outro tipo de medidas. Exemplificando, recorda que deu palco no Dia da Região aos cordofones madeirenses. “Foi um concerto excepcional que mobilizou todas as famílias, as pessoas”. E continuou: “Temos neste momento (...) um conjunto de pessoas com grandes aptidões artísticas, com formação nas artes e isso é que é fundamental, porque é as consequências das políticas que temos que olhar”.

