Há truques mágicos dos verdadeiros ilusionistas que nos maravilham por imprevisíveis e espetaculares. Também há os truques do governo da geringonça que por tão previsíveis e repetidos de mágicos nada têm. Vem isto a propósito do aparente braço de ferro entre o governo PS e os professores no que concerne ao pagamento dos valores em atraso da progressão nas respetivas carreiras. Independentemente de se saber se os professores são ou não beneficiados no que às carreiras diz respeito relativamente ao restante funcionalismo público, e não é isso que está agora em discussão, não tenho qualquer dúvida que eles têm o direito de receber integralmente os valores em atraso que foram congelados durante a fase mais crítica da austeridade. É muito dinheiro? Com certeza que é, mas os sindicatos já por mais de uma vez fizeram saber que não pretendem recebê-lo todo de uma vez, pelo que o seu diferimento por vários OE é perfeitamente aceitável e sem colocar problemas de equilíbrio orçamental, ao contrário do que o ministro das finanças disse. O que o governo e nomeadamente o ministro das finanças têm andado a fazer é esticar a corda e como é seu timbre dizendo uma coisa para fazer outra, dando também azo a que o talento da líder do BE venha ao de cima, com as suas reivindicações sempre naquele tom tão assertivo quanto teatral, com o PC mais comedido em toda esta encenação, mas concorrendo tudo para uma espécie de apoteose final, quando finalmente o governo, provavelmente com a intervenção pessoal e redentora do primeiro ministro, acabar por aceder à justa reivindicação dos professores no que a este assunto diz respeito, talvez usando como moeda de troca alguma ou algumas outras reivindicações dos mesmos como sejam as condições de trabalho nas escolas, os programas escolares e outras, para facilitar a vida atribulada do ministro da educação. Não passará de um truque já por várias vezes repetido por este governo em outras ocasiões, portanto sem qualquer magia.
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