“A melhor homenagem que podem fazer às pessoas que foram vítimas daquela tragédia é ir à festa”, afirmou Pedro Ginja, o professor universitário que foi contratado pela Câmara do Funchal para elaborar um relatório sobre a queda do carvalho, a 15 de Agosto do ano passado e que desenvolveu outros trabalhos para garantir a segurança de outras árvores.
O perito foi ouvido, esta tarde, na Assembleia Legislativa, numa audição parlamentar que decorreu na comissão de Saúde e Assuntos Sociais, que tem a seu cargo as questões da Protecção Civil. O objectivo da audição, pedida pelo PSD, era saber se haveria condições para a realização da Festa do Monte.
Carlos Rodrigues (PSD) fez questão de sublinhar que o objectivo era, sobretudo, falar da situação actual do Largo da Fonte e das Babosas e não incidir muito na tragédia do ano passado que matou 13 pessoas, mas esta questão foi referida por vários deputados e pelo próprio Pedro Ginja.
O perito foi contacto pela câmara no próprio dia em que a árvore caiu e chegou á Madeira no dia seguinte, tendo desenvolvido, imediatamente, os trabalhos de peritagem. Uma acção que, garante, teve “autorização do ministério público”, tendo sido o próprio a definir os limite de segurança e o policiamento. Pedro Ginja contesta a posição do Ministério Público que, dias depois de ter autorizado os trabalhos, decidiu proibir o acesso e quase insinuar que tinham sido realizados sem autorização. Em causa esteve a contestação que surgiu pelo facto de ser uma entidade envolvida na queda da árvore a desenvolver os trabalhos. Mais tarde o MP nomeou um perito próprio.
Pedro Ginjas também desenvolveu trabalhos de avaliação da segurança de várias árvores no concelho e dirigiu as acções de correcção.
Sobre o Monte, considera que os trabalhos desenvolvidos garantem segurança, mas defende cuidados em relação ao ruído e ao rebentamento de fogos de artifício que poderão estar relacionados com a queda da árvore.
“Eu venho à festa”, garante o especialista em árvores que apela à participação no maior arraial da Região e espera que os madeirenses continuem a usufruir de um património arbóreo único e que, sublinha, tem de ser preservado. Por isso mesmo, discorda do projecto que foi apresentado para requalificação do Largo da Fonte e jardins do Monte. Pedro Ginja espera que não seja verdadeira a intenção de abater todas as árvores.
“O Largo da Fonte os jardins do Monte são um património fantástico que a Madeira tem. Alguém irá ao Monte se cortarem todas aquelas árvores”, pergunta.

