O mundo tomou conhecimento que 13 seres humanos estavam encurralados numa gruta da Tailândia e todos nós sentimos que poderia estar eminente uma tragédia.
Os governantes da Tailândia não entraram em pânico, mas agiram com responsabilidade e humildade, apelando ao apoio internacional para tentarem salvar 12 crianças e 1 adulto.
E os apoios chegaram, profissionais preparados neste tipo de salvamento acorreram pressurosos, além de cidadãos tailandeses que também se expuseram ao perigo e, numa missão conjunta, trabalharam dia e noite, enfrentando enormes perigos, para socorrer aquelas crianças e o treinador. Infelizmente, morreu um dos socorristas, agora apelidado de herói. De que lhe serve esse título? Contudo, devemos curvar-nos perante o seu esforço e abnegação que lhe custou a vida.
Por fim, respirámos de alívio ao tomar conhecimento do salvamento daqueles seres humanos que sofreram muito e teriam perdido a vida, caso não fossem socorridos e evacuados daquela gruta de forma profissional e diligente, como aconteceu.
Que lições tirar deste acontecimento? Os seres humanos vivem em sociedade e é a através da cooperação e da solidariedade, aliadas ao profissionalismo, que superam os perigos e criam condições para fazer a humanidade dar passos civilizacionais, no espaço e no tempo.
Infelizmente, a ordem mundial económica e política baseia-se na competição, uns contra outros, nações contra nações e até irmãos contra irmãos, levados pela ganância do lucro fácil. Todos os dias a Comunicação Social nos fala de défices, de lucros, de bancos, transacções financeiras e os pobres mortais, em grande parte, aceitam esta ordem mundial e até pensam que também vão abocanhar o seu pedaço. Só que as transacções financeiras e os milhões dos paraísos fiscais são apenas para alguns e são fruto do nosso trabalho e da pobreza de tantos.
O mundo era tão mais feliz se os ricos pagassem devidamente os produtos que arrancam aos países pobres; os povos eram tão mais felizes se tivessem bons governantes que, à frente dos défices e prebendas aos que não merecem pensassem nos doentes, nos famintos, nos ignorantes e infelizes. Sabemos que muitas crianças são vendidas e escravizadas para trabalharem em diversas partes do mundo, como, por exemplo, em tecelagens e na apanha do cacau, para satisfazerem os lucros e os prazeres de outros seres humanos. Sabemos que era possível acabar com a malária, o dengue e outras doenças que grassam em países subdesenvolvidos se não houvesse fuga aos impostos e se uma parte dos milhões que vão para os paraísos fiscais fossem gastos na investigação e sistemas de saúde para todos.
O mundo precisa de mais cooperação e solidariedade, debate de ideias, políticas sérias e esforço colectivo para atingirmos uma sociedade de bem estar para toda a humanidade, equilíbrio ecológico do nosso planeta, incluindo todos os seres vivos e todos os recursos de que precisamos para sobreviver.
Para terminar, desejo sinceramente que as crianças tailandesas socorridas e o seu treinador recuperem bem das sequelas e traumas vividos, bem como os valentes profissionais que os salvaram.
Conceição Pereira