O Governo Regional está a preparar nova legislação para combater o uso do plástico. Sem desvendar de que forma o Executivo vai abordar a questão no sentido de reduzir a utilização e a consequente poluição dos mares e a entrada de microplástico na cadeira alimentar do homem através do peixe, Susana Prada espera que as nova legislação entre em vigor ainda durante esta legislatura.
No ano passado foram recolhidos sete mil metros cúbicos de lixo, essencialmente plástico, na costa da Madeira através da campanha de recolha de resíduos ‘Há Mar e Mar, Há ir e Limpar’, integrada na estratégia ‘MaRaM - Poluição Zero no mar da RAM’. A campanha de recolha e controle da poluição no mar da costa começou em 2015 e continuou esta manhã com a primeira intervenção do ano. No total em 2018 estão previstas 14, passando por todos os concelhos.
A secretária regional do Ambiente e Recursos Naturais destacou o facto de esta ser também uma campanha de sensibilização da população para a problemática dos oceanos e para a redução da utilização dos plásticos, assim como para aquando da sua utilização, para a colocação nos contentores. “É um problema global, não é só nosso”, reconheceu Susana Prada. Mas alertou: “Os oceanos estão cheios de plástico. Se até 2050 tudo continuar como agora, os oceanos terão mais plástico do que peixe”. Além disso, explicou, com o sol os plásticos que flutuam no mar transformam-se em micropartículas que são ingeridas pelos peixes e entram na cadeia alimentar do homem, sendo “altamente prejudiciais” para a saúde.
Esta manhã um grupo de pessoas reuniu-se para limpar a zona entre a Marina do Funchal e a Quinta Calaça em caiaques e num bote de apoio. O Governo quer no entanto ir mais longe no combate. “Estamos a trabalhar no assunto”, respondeu Susana Prada quando questionada sobre medidas para penalizar o uso do plástico. “Queríamos implementar algumas. Sabemos que isto tem de ser gradual e estamos a trabalhar nisso”. O Governo está a ver a melhor maneira para alterar comportamentos, se possível ainda nesta legislatura. “Imagino que uma primeira medida, sim. Desejo que uma primeira medida sim”, respondeu.
O lixo recolhido vai depois para estudo. Os biólogos trabalham-no para perceber a origem e calcular o tempo que demora a se degradar, e outra squestões importantes para o combate, explicou Adelino Ferreira, patrão-mor do Clube Naval do Funchal. “Se nós soubermos a proveniência do lixo, mais facilmente podemos combatê-lo, combatê-lo na fonte”.
A Madeira disse, tem vindo a melhorar e hoje é uma zona com muito pouco lixo à superfície. “Esta é uma actividade que nós já fazemos há muitos anos, há três ou quatro anos e acabámos por ter repercussão nas pessoas, nos próprios pescadores que às vezes deitavam lixo e agora já não deitam. Eles começam a ver muita gente a se mobilizar nesta temática e acaba por travar um bocado a poluição.”
A limpeza no fundo do mar também era importante na opinião do responsável. O Clube Naval do Funchal realiza no início de cada época balnear uma limpeza de fundo e outra no final da época para conseguir calcular o impacto em termos de lixo no mar da época balnear.
A maior parte de lixo encontrado dentro das instâncias balneares é resultado das intempéries que o arrastam, concluíram. Já existe uma consciencialização ambiental, acredita e o projecto Bandeira Azul tem ajudado. Na época balnear anterior, por exemplo, o balanço foi “muito positivo”. A quantidade de lixo recolhido do fundo do mar foi “quase nada”.
Santiago Fernandes estava esta manhã sentado à frente no caiaque. “Nós estamos todos aqui reunidos nesta actividade e eu gostaria de ajudar”, afirmou o menino de 7 anos. “Estamos a entrar agora no mar, mas já temos lixo”, disse, mostrando a primeira captura do dia. Preocupa-o a problemática do lixo nos oceanos e não só. A redução da pegada ambiental vai mais longe. “Poupo água, desligo as luzes. Eu e a minha mãe até pensámos em colocar um temporizador na água do meu irmão porque ele gasta muita. Coisas assim.”
Santiago já tinha participado no ano passado apenas no bote de apoio. Desta vez teve oportunidade de meter mãos na rede e liderar ‘esta pesca’.
“Estou a participar porque acredito que todas as acções em prol da limpeza e da defesa do nosso meio ambiente são importantes”, disse Gonçalo Sousa. “Apesar de sermos só dez ou cerca de 15 pessoas, temos todos de começar por algum lado e é melhor fazer alguma coisa do que não fazer nada e acho que é uma iniciativa excelente que mostra a preocupação do governo em torno das questões ambientais”, justificou. É extremamente importante todos nós tomarmos uma posição sobre esta questão e percebermos que é preciso mexermo-nos, é preciso fazer alguma coisa”. A sensibilização, acredita o jovem de 27 anos, é a maior arma contra o problema ambiental.

