As informações não são oficiais, são oficiosas mas suficientes para despertar a atenção e a preocupação de um grupo de docentes da educação Pré-Escolar que está hoje na rua por volta das 15 horas junto à Secretaria Regional da Educação a pedir para ser recebidos pelo secretário. Em causa estará o regresso ao modelo antigo, com mais horas de sala. “Nós tínhamos conseguido reverter essa situação, e pelos vistos, parece que as coisas se vão alterar”, lamentou Margarida Fazendeiro, que dá a cara pela causa.

Até 2016/2017 os docentes da edução Pré-Escolar tinham um calendário diferenciado. O Pré-escolar, educação de infância, contou, começava sempre mais cedo, normalmente entre 4 e 8 de Setembro e só terminava no final de Julho e as interrupções da actividade lectiva, Natal e Páscoa, também eram mais reduzidas para estes docentes, quando comparados com os restantes. No ano lectivo que agora terminou, os professores conseguiram praticamente igualar o calendário - teve apenas uma diferença de uma semana, o 1.º Ciclo terminou a 22 de Junho e o Pré-escolar só terminou a 29, e uma ligeira diferença no início das aulas -, mas esta alteração terá gerado descontentamento junto das assistentes operacionais.

“O trabalho que está a ser desenvolvido nas escolas nesta altura, os educadores de infância também têm que o fazer, e durante as interrupções é exactamente a mesma coisa, não tinham era os mesmos tempos e os mesmos espaços que os outros professores dos outros sectores”, explicou Margarida Fazendeiro.

A professora na escola da Nazaré acredita que há alguma confusão sobre quais são as funções dos educadores de infância e as funções das assistentes operacionais que estão na sala e que trabalham com os educadores e com aquilo que é a componente socio-educativa de apoio à família que decorre durante este mês de Julho, defendeu. “Esses cuidados e essa assistência é prestada pelas assistentes operacionais. E há aqui uma confusão penso, até atrevo-me a dizer mesmo alguma desonestidade intelectual por parte destes profissionais. Nós respeitamos todos, mas os conteúdos funcionais são diferentes e aquilo que se pede a cada um é diferente e por isso não pode ser tratado da mesma maneira”.

Margarida Fazendeiro lamenta que o secretário tenha ouvido as assistentes operacionais e não encontre espaço para ouvir as docentes neste caso, até porque, acredita, “as coisas têm de ser feitas à priori, há situações que se têm de acautelar independentemente depois de quem decide. (...) A pressão, a conversa, a fundamentação e a argumentação têm que existir antes de a legislação ser publicada”.

Neste momento, porque ainda não há informação oficial, o Sindicato dos Professores da Madeira (SPM) não se pronunciou. “Percebi que no imediato não iam fazer nada a menos que houvesse essa informação oficial. Mas a informação oficial, quando ela ocorre, já é muito em cima da hora, depois das coisa estarem publicadas, já dificilmente são revertidas”, recordou, contanto com a experiência de 17 anos na direcção do SPM. E por isso, em conjunto com outros colegas, avançaram por sua conta para a rua e estarão esta tarde junto à Secretaria a pedir para serem recebidos por Jorge Carvalho.