
“Nenhum elemento do Conselho Médico da RAM, incluindo o seu presidente, Dr. António Pedro Freitas foi convidado para coordenar o Programa de saúde de qualquer partido político.” Este é apenas um ponto de um extenso comunicado, que o Conselho Médico da Madeira acaba de enviar aos médicos com inscrição na Região e que pretende, em síntese, duas coisas: dizer que António Pedro Freitas não coordena o programa de Governo do PS, na área da saúde, e responder a Pedro Ramos, que até já pediu a demissão do presidente do Conselho Médico, por considerar que tal função é incpmpatível com a presidência da Ordem.
O comunicado utiliza duas páginas A4 a explicar o que é que a actual direcção do Conselho Médico fez, nomeadamente, em reuniões bimestrais com Pedro Ramos, secretário da Saúde. No final da segunda página, aparecem as questões ligadas à política partidária, com o Conselho Médico a afirmar que participa em “reuniões e iniciativas de vários partidos” e nomeia algumas: CDS, JPP, PSD e termina com os estados gerais do PS, no mês passado. É referido que António Pedro Feitas foi “convidado a organizar e moderar a mesa sobre saúde”, para o que convidou diversas personalidades, incluindo o bastonário da Ordem dos Médicos.
“Foi com surpresa e incredulidade que assistimos, por parte de sua excelência o secretário regional da Saúde, Dr. Pedro Ramos, a acusações públicas de politização da Ordem dos Médicos, da colaboração e coordenação de eventuais programas de governo para a área da saúde ligados ao partido Socialista, na pessoa do Dr. António Pedro Freitas, e do não reconhecimento da Ordem dos Médicos como interlocutor dos médicos nas relações institucionais com o Governo Regional. Mais, assume o reatar de relações institucionais com elementos deste Conselho Médico, exceptuando o seu presidente, a quem sugere a demissão do cargo”.
No comunicado, que é assinado pelos nove elementos do Conselho (o DIÁRIO sabe que esteve para haver dois comunicados e um deles assinado só por António Pedro Freitas, estratégia que mudou, no final da semana passada, num encontro À margem da conferência sobre gastroenterologia) é afirmado que o presidente não teve qualquer convite para um cargo político.
O Conselho diz repudiar a politizacão da saúde e, apesar de discordar de várias políticas e estratégias da Secretaria da Saúde, nunca pediu a demissão de Pedro Ramos. “Pelo contrário, defendemos publicamente sua excelência o secretário regional da Saúde como interlocutor no Governo Regional para a saúde, em alturas de indefinição governativa” (uma alusão à nomeação de Ana Clara Silva, para a Vice-presidência, com o ‘pelouro’ da saúde).
O Conselho Médico repudia que Pedro Ramos só aceite as relações institucionais sem a presença de António Pedro Freitas e diz-se disponível “para discutir de forma construtiva os problemas da saúde”, e aguarda o recomeço das reuniões bimestrais.
António Pedro Freitas foi apresentando publicamente como coordenador do Programa de Governo do PS na área da saúde, algo que nunca foi desmentido pelo partido ou pelo candidato a presidente do Governo, Paulo Cafôfo.
António Pedro Freitas também foi apresentado nos Estados Gerais do PS como coordenador do programa de Governo, tanto pelo ‘speaker’ como por Paulo Cafôfo, quando apresentou todos os coordenadores temáticos do programa de Governo.
No sítio do PS, na Internet, há um texto em que apresenta António Pedro Freitas, a propósito da sua participação nos Estados Gerais, como “Coordenador para a área da Saúde do PS-M”.
Aliás, se António Pedro freitas não é coordenador do programa de Governo do PS na área da saúde, esta é uma área em que os socialistas ainda não têm coordenador, pelo menos que seja do conhecimento público.

