Uma agência de ‘manning’ - recrutamento de tripulantes - foi criada no Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM) por um grupo de parceiros do Registo Internacional de Navios da Madeira (MAR), com o objectivo de captar, já a partir deste Verão, marinheiros e jovens formados no nosso país, para postos de trabalho a bordo da marinha mercante com pavilhão português.

A Sociedade de Desenvolvimento da Madeira (SDM), empresa responsável pela gestão do CINM, considera esta iniciativa “um exemplo que mostra o contributo do MAR para o cluster do shipping no país”, destacando a “capacidade de manter e criar emprego para marinheiros portugueses, quer em alto mar, quer em terra nas empresas de serviços que suportam as actividades dos navios registados”.

O projecto designa-se ‘Marítimos Manning Portugal’ (MMP) e terá características técnicas inovadoras que pretendem contribuir para aumentar o número de cidadãos nacionais entre as tripulações dos navios registados no MAR, conforme foi anunciado durante uma apresentação recente na Escola Náutica Infante D. Henrique (ENIDH).

Citada pela SDM, Carla Vieira, responsável que liderará o projecto em todo o País, a MMP apostará em tecnologias de ponta para ligar os armadores aos candidatos a tripulantes. “Em breve teremos o ‘software’ pronto, pelo que poderemos começar já a trabalhar com os jovens que se graduarem este Verão na ENIDH”, afirmou.

Conforme sublinhou a responsável da MMP, “os promotores deste projecto acreditam firmemente na qualidade da formação em Portugal e na qualidade e capacidade dos marítimos portugueses para se adaptarem aos novos tempos da globalização na área do shipping. Acreditam que o País, no seu todo, e a Madeira, em particular, devem aproveitar o facto do MAR ser uma porta de entrada em Portugal para armadores internacionais. Nesse sentido, acrescentou Carla Viera, devem aproveitar e valorizar o empenho quer do Governo Regional da Madeira quer do Governo Central para dar maiores condições de competitividade ao Registo”.

A responsável da Marítimos Manning Portugal frisou ainda que “as bases deste desafio são a crença em Portugal e na Região como espaços de desenvolvimento da indústria do shipping; a crença na capacidade dos marítimos portugueses; a crença na capacidade que o País terá de incrementar a formação de marítimos, quer em quantidade, quer em qualidade. Podemos, de facto, voltar ao mar, se quisermos. A base existe. Resta-nos desenvolvê-la”.

Por seu turno, a European International Shipowners Association of Portugal (EISAP) frisa que para os armadores internacionais é gratificante ver nascer novos projectos na órbita do MAR. “É bom para a Madeira, é bom para o País e é bom para os armadores. Defendemos sempre que é fundamental que se crie um ambiente favorável ao shipping, pois esta indústria possibilita o aparecimento de um número infindável de empresas prestadoras de serviços, nas mais diversas áreas. Mais do que uma fonte de receitas, o shipping deve ser visto como uma enorme oportunidade de emprego, de formação, de inovação, de integração, de partilha e de relevância internacional”.

Do ponto de vista da SDM, são projectos desta natureza que comprovam “que o MAR continua a revelar-se como um dos instrumentos mais sérios alguma vez criado em Portugal para a afirmação de uma política marítima com expressão internacional, sendo de frisar o contributo para dotar o nosso País de uma marinha mercante de expressão considerável e para o posicionamento de Portugal no seio das organizações internacionais do sector”.