Um grande incêndio consumiu hoje um armazém em Bagdad onde estavam armazenados os boletins de voto das legislativas de 12 de maio, depois de o parlamento ter ordenado uma recontagem manual, na sequência de acusações de fraude.
Segundo a AFP, as autoridades afirmaram, no entanto, que a maioria das urnas não foram atingidas pelas chamas.
O incêndio, cuja origem é ainda desconhecida, eclodiu no armazém Al-Roussafa, na circunscrição este da capital iraquiana, a maior do país e onde votaram 60% dos cerca de dois milhões de eleitores de Bagdad.
De acordo com um jornalista da AFP no local, uma nuvem negra com uma extensão de dezenas de metros era visível na cidade e duas horas depois do início do fogo os bombeiros ainda não tinham conseguido controlar as chamas.
“Uma sala onde estavam armazenadas as máquinas de voto e os equipamentos necessários ao processo eleitoral foi destruída pelas chamas”, disse à AFP Imed Jamil, responsável da comissão eleitoral de Al-Roussafa, acrescentando que “as urnas estavam guardadas noutra sala” e garantindo que o fogo não põe em causa a recontagem dos votos.
O porta-voz do Ministério do Interior, o general Saad Maan, afirmou aos jornalistas que “o material eleitoral, entre o qual, possivelmente, urnas de voto, foi queimado, mas a maioria das urnas encontra-se noutro edifício e, por agora, preservada”.
“A operação dos bombeiros continua em curso”, acrescentou.
O Iraque prepara-se para recontar 10 milhões de boletins de voto na sequência de alegações de fraude nas legislativas, lançadas pelo líder nacionalista xiita Moqtada Sadr.
Confrontado com as acusações, o parlamento votou na quarta-feira uma nova recontagem manual, tendo ainda anulado o voto dos expatriados e deslocados e demitido a comissão eleitoral que supervisionou o escrutínio.