O reitor da Universidade da Madeira, José Carmo, disse hoje que é “fundamental” o Governo Regional e as autarquias apoiarem a instituição “sem complexos”, num momento em que os gastos se situam nos 17,5 milhões de euros anuais.

“Sendo certo que temos recebido apoios, que reconhecemos e agradecemos, sobretudo pelas suas implicações nas componentes pedagógica e de investigação científica e cultural, parece-nos legítimo ansiar por um patamar de compromissos interinstitucionais que transformem a Universidade num verdadeiro ícone de desenvolvimento da Madeira”, afirmou.

José Carmo falava durante a sessão comemorativa dos trinta anos da Universidade da Madeira (UMa), no Funchal, onde vincou que o impacto da instituição na região autónoma é “inegável” e com “reflexos imediatos” ao nível social e na preparação dos jovens.

“É fundamental que os órgãos de governação regional e local não vejam a UMa apenas como mais uma universidade, mas sim como um instrumento fundamental do desenvolvimento da Região e das suas cidades e que a apoiem, cada vez mais, sem complexos, como fazem as câmaras de várias regiões do país com as instituições de ensino superior nelas situadas”, sublinhou.

O reitor disse, a propósito, que a instituição usa anualmente mais de 17,5 milhões de euros no pagamento de serviços e dos vencimentos dos funcionários docentes e não docentes.

José Carmo referiu, por outro lado, que os “principais constrangimentos” da universidade foram identificados no plano estratégico para os anos lectivos de 2017/2018 a 2020/2021, entre os quais se contam a situação insular e ultraperiférica e os impactos na captação de alunos devido aos custos mais elevados; o insuficiente financiamento por parte do Orçamento do Estado; e a pequena dimensão em termos de número de alunos, com influência directa no financiamento, bem como o número “demasiado reduzido” de docentes e de pessoal não docente.

“A Universidade tem de ser capaz de ultrapassar estas dificuldades, transformando-as, sempre que possível, em desafios e oportunidades”, salientou.

A sessão comemorativa do 30.º aniversário da Universidade da Madeira foi também marcada pela intervenção do presidente da Associação Académica (AAUMa), Carlos Abreu, que propôs a atribuição do título Honoris Causa ao futebolista Cristiano Ronaldo, que é natural da região.

“Seria um contributo para elevar a Universidade e a Madeira a um patamar cada vez mais alto”, disse.