A Câmara Municipal de Santa Cruz vai apoiar os pequenos agricultores do concelho já a partir do próximo ano. O regulamento que vai orientar estas ajudas até 6.000 euros por candidatura está em discussão pública, anunciou Filipe Sousa, hoje durante a Festa da Cebola, no Caniço. Na mesma ocasião, falando à comunicação social, disse que há já da parte do Governo Regional abertura e o compromisso para celebrar um contrato-programa com o município para a requalificação do Largo da Achada, na Camacha.

O executivo estima que mais de cem mil euros sejam inscritos no orçamento de 2019 para apoiar sobretudo os agricultores que praticam agricultura de subsistência, doméstica, na aquisição de máquinas, instrumentos agrícolas, recuperação de levadas particulares, recuperação de paredes, aquisição de pesticidas, fertilizantes e outras necessidades, com um máximo de 6.000 euros por candidatura, uma vez que os restantes já usufruem de apoios de outas entidades. “Claro que há aqueles médios, grandes agricultores, mas já têm apoios do Estado, da Região para fazer face aos seus investimentos”.

No Caniço a integrar a festa, o presidente da Câmara Municipal revelou ainda o desejo de ver criada a Associação dos Produtores de Cebola do Caniço. Desde o ano passado que vem incentivando a sua criação, sem sucesso. Nesta fase há um grupo que se começa mobilizar para defender a marca ‘Cebola do Caniço’. “Vamos ver se ainda este ano conseguimos criar essa associação, que tem imensas valias, nomeadamente para aproveitar os fundos municipais”.

Da sua parte vai também aproveitar a abertura do Governo Regional. “O Largo da Achada da Camacha, já há um compromisso do Sr. Presidente do Governo em estabelecer um contrato-programa com o município”, anunciou, referindo que na sua opinião, quem ganha não é o presidente de câmara, ou o presidente do Governo, mas o povo.

Filipe Sousa recebe António Costa no Aeroporto

Neste sentido, Filipe Sousa gostaria de ver também um entendimento entre o Governo Regional e o Governo da República “Espero que naqueles dossiers, desde a mobilidade, as questões da saúde (...) que se passe das palavras aos actos, porque muitas das vezes, eu costumo dizer isto, tenho já alguma experiência nas lides políticas, é claro que defendo a minha dama, é um facto, mas eu costumo separar. Embora eu goste do confronto político, é um facto, faço isto de coração, mas eu acho que devemos separar as questões políticas”.

Como autarca Filipe Sousa vê o encontro como positivo. “Os representantes da República deviam vir aqui mais vezes, porque há muitos problemas que afectam o povo madeirense desde a mobilidade, questões da saúde, embora a saúde esteja directamente relacionada com o Governo Regional, mas tem que haver esta partilha, este diálogo”.

Amanhã vai ao aeroporto receber o primeiro-ministro, cumprimentá-lo porque é um amigo de Santa Cruz. “Vou lá lhe dar um abraço, simplesmente”.

Reconhece que António Costa poderia ir mais longe, nomeadamente com soluções para as questões pendentes. “É a tal questão política. Eu não acredito que saia da parte do Sr. Primeiro-ministro, já o conheço há muitos anos e ele como autarca que foi, conseguem ter uma visão e separar. Agora na condição de Primeiro-ministro, há conselheiros e conselheiras que muitas vezes prejudicam a acção governativa.”

“Se é uma birra política, não sei. Se é uma birra política entre o Governo Regional e o Estado, também não sei. A verdade é que quem está a perder com isto é o povo madeirense”, disse, referindo-se particularmente à questão do hospital.

O também presidente do Juntos Pelo Povo considera a aproximação salutar e espera que não haja aproveitamento político, mesmo por parte da oposição.