São dois municípios insulares que integram a Macaronésia e, apesar de se encontrarem em diferentes fases de crescimento, as cidades do Funchal e da Praia (Cabo Verde) comemoram, em 2018, 15 anos de parceria como cidades geminadas, uma troca de experiências e impressões com a vista a melhorar o desenvolvimento dos dois municípios. E é mesmo para implementar novos projectos inspirados naqueles que cresceram no Funchal que Óscar Santos, presidente da Câmara Municipal da Praia, aterrou na Madeira. Desta vez, salientou o autarca cabo-verdiano, o município quer recolher novas ideias para intervenções sociais e ambientais, duas áreas que, diz, merecem especial atenção no momento actual.

Recebido por Paulo Cafôfo e outros representantes da autarquia funchalenses, Óscar Santos visitou na manhã desta quarta-feira o Centro Comunitário da Quinta Josefina, em Santo António, para ficar a par do “ReCriando Lares”, uma iniciativa da Câmara Municipal do Funchal (CMF) que tem capacitado vários residentes daquele bairro social de ferramentas de gestão, tanto informativa, como técnica ou emocional.

“Estamos interessados em duas áreas importantes: acção social, tanto pré-escolar, como 3.ª Idade. A visita a este centro é por causa disso, é uma troca de experiências para melhorar a nossa prestação”, começa por explicar Óscar Santos, presidente da Praia deste Janeiro de 2016, após Ulisses Correia e Silva renunciar ao mandato para dedicar-se à liderança do partido da oposição (Movimento para a Democracia).

Além desta área, e a pensar na forte renovação geracional que a cidade da Praia espera alcançar nos próximos anos, Santos sublinha a urgência de mais acções camarárias voltadas para o ambiente: “Estamos muito preocupados com mudanças climáticas, somos uma ilha como a Madeira, e as ilhas são muito vulneráveis. Temos cerca de 170 mil habitantes, mais gente do que o Funchal, mas com uma população ambulante de cerca de 140 mil. E temos uma taxa de crescimento muito alta, cerca de 2.7% por ano, o que significa que nos próximos tempos vamos ter um crescimento populacional muito forte, daí a questão do ambiente ser muito cara para nós. Queremos preparar o futuro, não devemos esperar que as coisas aconteçam, mas ter capacidades de construir uma cidade cada vez mais resiliente às alterações climáticas”. A aposta na criação de mais espaços verdes na Praia é outros dos objectivos, assim como conhecer a Estação de Resíduos Sólidos dos Viveiros, onde a comitiva se encontra neste momento: “É muito importante que conheçamos a experiência de outros municípios para que nos possamos preparar para o futuro”. E é também por isso que os cabo-verdianos seguem esta quinta-feira para Lisboa, para reunir com autarcas em Cascais e em Oeiras.

Troca mútua

Apesar de se encontrarem em diferentes níveis de desenvolvimento turístico - a cidade da Praia só começou a apostar neste mercado há poucos anos - o Funchal (e Madeira) têm muito a aprender com os cabo-verdianos, salienta Paulo Cafôfo: “Como Cabo Verde está a encarar o crescimento do turismo, nomeadamente em termos da formação e da qualificação de quadros, um campo em que Cabo Verde dá cartas”. Mas não só, já que o presidente da CMF sublinha que a liberdade que a República de Cabo-Verde dá aos municípios na área da Educação é uma mais-valia: “Eles têm uma ligação diferente com as escolas, há mais proximidade com o ensino. Aqui, curiosamente o sistema é ao contrário. Nós temos o 1.º Ciclo mais em termos da manutenção, mas eles têm uma acção directa no sistema educativo. O Governo da República tem uma acção muito mais distante e portanto as competências de educação estão muito mais focadas no municípios do que no Governo”, explica o autarca madeirense.