O conflito que se gerou entre o presidente do Sporting e a equipa de futebol através das redes sociais não é, segundo o ex-dirigente ‘leonino’ Eduardo Barroso, um motivo para que Bruno de Carvalho deixe a liderança.
O desaire frente ao Atlético de Madrid, por 2-0, na primeira mão dos quartos de final da Liga Europa, precipitou uma grave crise em Alvalade. Perante o extremar de posições das duas partes, o antigo presidente da Mesa da Assembleia Geral (AG) aconselha Bruno de Carvalho a ficar em silêncio e a deixar de vez as publicações no Facebook.
“Eu também critico o ‘post’ do Bruno [de Carvalho], mas não vou aproveitar essa crítica para exigir a demissão, que é absurdo, e transformar isto numa guerra sem solução. É preciso agora que o Bruno se cale, que acabe com o Facebook e deixá-lo descansar um bocado, porque está também a viver momentos pessoais de grande tensão”, afirmou à agência Lusa.
Apesar das reações públicas de diversas figuras do universo sportinguista questionando a capacidade de o atual presidente se manter no cargo, Eduardo Barroso reitera o seu apoio, lembra que ainda no passado lhe deu o seu voto e apela ao fim das tensões institucionais dentro do clube.
“O Bruno não merece ser linchado na praça pública só por este ‘post’ sobre a equipa. É um aproveitamento que não faz sentido. É muito difícil conseguir resistir a estas campanhas. Só falta quererem dar-lhe um tiro”, refere, acrescentando: “Mas o que é que há assim de tão grave? Ele fez uma crítica à equipa, a equipa reagiu e por isso vai cair o presidente do Sporting? Ou a equipa? Isto é uma loucura total.”
O cirurgião assinala ainda que Bruno de Carvalho tem um “sportinguismo acima de qualquer suspeita” e, mesmo não se considerando pessoalmente “refém de um apoio ‘ad eternum’”, que aqueles que querem fazer cair o presidente depois de não o terem vencido nas eleições também não o vão conseguir fazer de um momento para o outro.
“Não vão conseguir ganhar eleições nenhumas a seguir, porque não se passa de dez por cento para uma maioria só por Bruno de Carvalho ter metido a ‘pata na poça’”, explica, frisando que o líder ‘leonino’ é “um homem a quem os sportinguistas devem imenso” e que “merece continuar a ser o presidente do Sporting”.
Já sobre a posição assumida neste diferendo pelo treinador Jorge Jesus, que afirmou, após o triunfo (2-0) deste domingo sobre o Paços de Ferreira, em jogo da 29.ª jornada da I Liga, que estava do lado dos jogadores, o ex-dirigente enaltece a postura do técnico.
“Jorge Jesus esteve sempre com os jogadores e com o presidente. Sei que cumpriu a obrigação dele, porque é um homem digno, um grande treinador, porque, como ele disse muito bem, com quem tem de estar é com o Sporting. Foi contratado para defender os interesses do Sporting e para mim está a defendê-los muito bem”, finaliza.
Bruno de Carvalho criticou na quinta-feira as exibições de alguns jogadores do Sporting, a seguir à derrota em casa do Atlético de Madrid (2-0), na Liga Europa, tendo, na sexta-feira, 19 jogadores do plantel, entre os quais Rui Patrício, William Carvalho, Fábio Coentrão, Coates, Gelson Martins e Bruno Fernandes, divulgado um comunicado no qual manifestaram “desagrado” com as críticas.
Em resposta, Bruno de Carvalho partilhou um texto no Facebook, visível para os seus amigos na rede social, em que dava conta da suspensão dos jogadores que subscreveram o comunicado e fazia saber que teriam de enfrentar a disciplina do clube.
No sábado, o treinador da equipa, Jorge Jesus, afirmou que os futebolistas não receberam qualquer nota de suspensão por parte do clube e garantiu que Bruno de Carvalho lhe deu “liberdade para convocar os jogadores” que entendesse para o jogo de domingo com o Paços de Ferreira, da 29.ª jornada da I Liga de futebol, o que aconteceu, com os ‘leões’ a vencerem por 2-0.
Hoje, o presidente da AG, Jaime Marta Soares, disse que Bruno de Carvalho não tem condições para continuar em funções e anunciou a intenção de agendar uma reunião magna com vista a uma eventual destituição do líder ‘leonino’, o qual ripostou afirmando que seria ele próprio a marcar uma AG para que os sócios se pronunciem separadamente sobre a continuidade dos órgãos sociais.
