O novo ministro do Interior do Reino Unido, Sajid Javid, comprometeu-se hoje a resolver um escândalo com imigrantes das Caraíbas, que abalou o governo, invocando a sua condição de filho de imigrantes.
O governante garantiu que iria “fazer o que fosse preciso” para resolver o estatuto de todos os que se tornaram vítimas inocentes das duras políticas do governo conservador para a imigração.
A primeira-ministra, Theresa May, nomeou hoje Javid para o cargo, horas depois de a sua antecessora no posto, Amber Rudd, se ter demitido pelo seu papel no que está consagrado como escândalo Windrush.
O caso começou há semanas quando o jornal The Guardian noticiou que algumas pessoas das Caraíbas, que viviam no Reino Unido desde há décadas, estavam a ver recusados tratamentos médicos ou ameaçados de deportação por não terem documentos comprovativos do seu direito a residir no Reino Unido.
Os afetados estão a ser designados como a “Geração Windrush”, em alusão ao navio ‘Empire Windrush’ que, em 1948, transportou centenas de imigrantes das Caraíbas para um Reino Unido necessitado de enfermeiras, ferroviários e outros trabalhadores para ajudarem na tarefa de reconstrução, depois da devastação da II Guerra Mundial.
Estes, e muitos outros imigrantes que se seguiram, provenientes da Commonwealth (comunidade das nações britânicas), ficaram com um direito automático de residência no Reino Unido.
Mas a alguns está agora a ser negado acesso a habitação, emprego ou tratamento médico devido às exigências feitas a empregadores e médicos para que confirmem o estatuto migratório destas pessoas.
A outros foi-lhes dito que estão ilegalmente no Reino Unido, pelo que devem abandonar o país.
A indignação com o seu tratamento tem intensificado a pressão sobre May, que dirigiu este Ministério entre 2010 e 2016 e introduziu duras políticas de imigração, com que procurou criar no Reino Unido um “ambiente hostil” para migrantes indocumentados.
“Foi a primeira-ministra que criou as razões fundamentais para o escândalo Windrush”, afirmou Joanna Cherry, a porta-voz para a área do oposicionista Partido Nacional Escocês.
Javid, filho de imigrantes paquistaneses, é o primeiro político de uma minoria étnica a ocupar um dos principais quatro postos no governo britânico, a saber, primeiro-ministro, ministro das Finanças, ministro dos Negócios Estrangeiros e ministro do Interior.
“Tal como a geração caribenha do Windrush, os meus pais vieram para este país, provenientes da Commonwealth, nos anos 1960”, disse Javid, acrescentando: “Eles também vieram para ajudar a reconstruir este país e oferecer tudo o que tinham”.
Javid acentuou que quando viu a situação dos ditos imigrantes Windrush pensou que ele próprio poderia estar naquela situação, a par da mãe, do irmão e do tio.
Distanciou-se daquela frase do “ambiente hostil”, dizendo que “é uma frase que não ajuda e não representa os valores do Reino Unido enquanto país”.
A imigração é uma questão polémica no Reino Unido, tendo a redução do número de recém-chegados sido o principal fator para muitos eleitores que em 2016 apoiaram a saída do país da União Europeia (UE).
O governo conservador tem o objetivo de reduzir o número de entradas líquidas anuais para menos de 100 mil, o que é menos de metade do que se verifica hoje.
O caso provocou consternação em todo o espetro político.
Rudd e May têm pedido desculpa repetidamente, dizendo que todos os imigrantes da Commonwealth, chegados antes de 1973, que ainda não tenham a cidadania britânica vão tê-la e que os afetados vão ser compensados.
Mas a posição de Rudd deteriorou-se irremediavelmente depois de dizer aos deputados, na semana passada, que o governo não tinha objetivos para deportar pessoas, havendo apenas um relatório, de 2017, que mencionava objetivos específicos de “remoções forçadas”.
Rudd garantiu que não tinha visto o documento, mas o The Guardian publicou depois uma carta que ela escreveu a May, onde discutia a subida em 10% da quantidade de pessoas expulsas do país.
Na carta de resignação dirigida a May, Rudd afirmou que enganou os deputados “inadvertidamente”. May disse que aceitava a versão de que Ruud tinha falado “em boa fé” aos deputados e que lamentava a sua resignação.
O escândalo Windrush está a provocar ansiedade entre os três milhões de cidadãos da UE que vivem no Reino Unido, preocupados com o seu estatuto migratório depois do país sair da UE, no próximo mês de março.
O governo britânico tem dito que serão autorizados a ficar.
