Face às declarações de Miguel Albuquerque que considerou a Madeira a única Região do País “onde se pode dizer que viramos a página da austeridade”, referindo ainda que a nível nacional, “a viragem da austeridade é retórica, ficção e uma piada sem graça”, o presidente do Grupo Parlamentar do PS/Madeira, Victor Freitas, responde, considerando que o Governo Regional “tem apanhado boleia das medidas nacionais de reposição de rendimentos para os pensionistas, funcionários públicos e do sector privado, como a reposição dos subsídios de Natal e de férias, nas datas previstas, o descongelamento gradual das carreiras e, também, por via fiscal, com a eliminação da sobretaxa de IRS, IVA da restauração”.

Victor Freitas assina um comunicado onde enumera várias situações que desmentem tais declarações. Diz o socialista que Portugal “cresceu 2,7% em 2017 face ao PIB, enquanto a Madeira ficou-se pelos 2%, segundo as declarações proferidas hoje pelo vice-presidente do Governo, na tomada de posse da Ordem dos Economistas”, com a Madeira a liderar, em 2017, a taxa de desemprego com 10,4%.

A nível fiscal, diz que a Madeira perdeu “o diferencial por força do Plano de Ajustamento Económico e Financeiro e, apesar de termos saído do programa em 2016, ainda estamos longe de voltar a ter 30% de impostos mais baixos do que no território continental, mantendo o Governo PSD a lógica de que estamos bem, mas ao mesmo tempo pedindo aos Madeirenses um alto esforço contributivo em sede fiscal”.

Victor Freitas pega nas palavras de Albuquerque para afirmar que “piada sem graça é o facto de o Governo Regional continuar a responsabilizar o Governo da República pela sua [do Executivo madeirense] incapacidade em cumprir as promessas feitas aos madeirenses e porto-santenses”, com os últimos dias a mostrar “exemplos daquilo que é a retórica demagógica do Governo Regional em diversas matérias, o que, sim, constitui uma piada” com o subsídio de mobilidade a ser “o caso mais flagrante”, entendendo que a estratégia do Executivo madeirense em “lançar notícias e recuar sistematicamente demonstra a sua incapacidade governativa”.

As críticas socialistas estendem-se também ao facto de o vice-presidente do Governo querer “empurrar os jovens para a emigração, ao dizer que não podem esperar um horário de trabalho das 9h às 17h, fomentando a precariedade laboral” e ao adiamento da ligação ferry entre a Madeira e o Continente.

Victor Freitas diz mesmo que o “cúmulo da desorientação do Governo Regional e do PSD-Madeira é o facto de equacionarem a possibilidade de eleições antecipadas. O medo do PS e de Paulo Cafôfo é, nada mais, nada menos do que a incapacidade em cumprir as promessas eleitorais e o reconhecimento perante os Madeirenses do seu monumental falhanço na acção governativa”.