Um consórcio internacional de cientistas, que por enquanto não inclui portugueses, propõe-se sequenciar, catalogar e analisar os genomas (conjuntos de informação genética) de 15 milhões de espécies, uma tarefa que levará dez anos a fazer, foi hoje divulgado.

Trata-se de todas as espécies eucariotas conhecidas na Terra, que incluem todos os organismos vivos, com exceção das bactérias e das arqueias (microrganismos geneticamente distintos da bactéria, embora semelhantes a esta morfologicamente, que vivem em ambientes extremos como fontes hidrotermais).

A sequenciação dos genomas das bactérias e das arqueias é alvo de um outro projeto, o “Earth Microbiome Project” (Microbioma da Terra).

Estima-se que existam no planeta dez a 15 milhões de espécies eucariotas (as que, ao contrário das procariotas como as bactérias, contêm um núcleo celular rodeado por uma membrana).

O novo projeto, designado “Earth BioGenome Project” (Biogenoma da Terra), custará 4,7 mil milhões de dólares (3,8 mil milhões de euros).

A iniciativa, descrita num artigo divulgado na publicação científica Proceedings of the National Academy of Sciences, requer, segundo os seus promotores, a cooperação de governos, cientistas, ‘cidadãos-cientistas’ e estudantes de todo o mundo.

Para já, não há instituições ou cientistas portugueses envolvidos no projeto. “Mas estamos ainda na fase inicial de construção da rede internacional e aguardamos por tal envolvimento”, disse à Lusa um dos coordenadores do Biogenoma da Terra, Gene Robinson, professor na universidade norte-americana de Illinois.

Sobre o arranque do projeto, o diretor do Instituto de Biologia Genómica Carl Woese da Universidade de Illinois referiu, sem mencionar datas, que estão em curso outros projetos, cujos dados serão incluídos no “Earth BioGenome Project”, como a sequenciação dos genomas de todos os vertebrados (peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos) e de 5.000 insetos.

Os impulsionadores da chamada ‘livraria digital da vida’ acreditam que, pela primeira vez na história, é possível sequenciar de forma eficaz os genomas de todas as espécies conhecidas e “descobrir 80% a 90% das espécies que estão escondidas da ciência”.

Justificando a importância da iniciativa, Gene Robinson sustentou, citado em comunicado pela Universidade de Illinois, que o Biogenoma da Terra ajudará “a compreender melhor” o modo de conservar a diversidade da vida.

De acordo com Robinson, a genómica (ramo da bioquímica que estuda o genoma completo de um organismo) “ajudou cientistas a desenvolverem novos medicamentos e novas fontes de energia renovável, a alimentarem uma população crescente, a protegerem o ambiente e a apoiarem a sobrevivência e o bem-estar”.

Até agora foram sequenciadas menos de 15 mil espécies, a maioria micróbios, segundo os líderes do “Earth BioGenome Project”.

O Biogenoma da Terra vai ter um conselho coordenador formado por membros da União Europeia, Estados Unidos, África, Austrália, Brasil, Canadá e China, que irá dirigir uma rede de colaboradores.