No final de uma mesa redonda organizada pelo Departamento Regional de Mulheres Socialistas (DRMS), a presidente Mafalda Gonçalves considerou o dia de hoje “muito especial”, referindo-se especificamente à alteração à Lei da Paridade, que foi aprovada na generalidade no Parlamento nacional. “É um dia em que se abriu ou se entreabriu uma porta”, sustentou.
Esta alteração vem introduzir uma representatividade de 40% do género sub-representado nas listas, bem como contém a proposta de que as listas sejam ordenadas alternadamente – um homem, uma mulher, ou uma mulher, um homem – e que, quando um deputado ou deputada for substituído, terá de sê-lo pelo candidato que se segue na lista, mas do mesmo género.
“Digo que a porta está entreaberta, porque falta ainda a lei ser aprovada na especialidade. Contudo, esta é uma conquista que nos aproxima mais da liberdade de abril, que é, neste caso, a paridade plena, que serão os 50/50 que esperamos no futuro chegarmos a atingir”, sublinhou Mafalda Gonçalves.
A mesa redonda que hoje se realizou, subordinada ao tema ‘As portas que Abril (ainda não) abriu’, teve como oradores Guida Vieira (sindicalista, operária e bordadeira) e António Loja (investigador, escritor e professor), cidadãos que tiveram um papel activo e preponderante na Revolução de 1974.
Por seu turno, Daniela Aguiar, que foi a moderadora do debate, explicou que estiveram a ser debatidas as portas que abril ainda não abriu, “porque consideramos que, apesar da Constituição da República Portuguesa de 1976 ter consagrado princípios fundamentais, nomeadamente o direito ao voto, há pequenos aspectos que não lograram ter consagração prática, nomeadamente no que respeita à liberdade de expressão e à liberdade de manifestação de opinião”.

