Os Estados Unidos “têm provas” de que as forças do Presidente sírio, Bashar al-Assad, utilizaram armas químicas num ataque a 7 de Abril em Douma, na Síria, afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert.
“O ataque ocorreu no sábado e nós sabemos com certeza que se tratou de uma arma química”, disse Nauert na sua conferência de imprensa habitual.
Pressionada pelos jornalistas sobre se se poderia dizer que os Estados Unidos têm provas de que o regime de Assad realizou o ataque, a porta-voz respondeu que “Sim”.
“Sabemos que só há alguns países, como a Síria, que têm os meios adequados e esse tipo de armas”, afirmou.
Uma equipa da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) inicia no sábado a sua investigação na cidade síria de Douma, para determinar a natureza exata das armas utilizadas, mas a porta-voz do Departamento de Estado precisou que os Estados Unidos têm as suas próprias fontes.
Heather Nauert explicou que “muitas dessas coisas são secretas”, para justificar que os Estados Unidos não tenham divulgado as provas de que dispõem.
Por seu lado, o exército russo indicou hoje que os seus efetivos na cidade síria “alegadamente atingida por um ataque de armas químicas” não encontraram provas que sustentem essa tese.
O major-general Yuri Yevtushenko, diretor do centro russo para a reconciliação das partes em conflito na Síria, declarou hoje que “de acordo com os resultados de um inquérito a testemunhas, análise de amostras e investigação de locais realizados por especialistas russos e profissionais médicos na cidade de Douma, onde armas químicas foram supostamente utilizadas, o uso de substâncias venenosas não ficou demonstrado”.
Yevtushenko disse também que as forças militares russas vão garantir a segurança dos investigadores da OPAQ, que vão trabalhar para determinar se foram ou não usadas armas químicas no ataque a Douma.
Estas declarações do responsável militar russo surgiram algumas horas depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, ter afirmado ter “provas irrefutáveis” de que o alegado ataque químico na Síria foi “uma encenação”, na qual participaram serviços especiais de um país “russófobo”.
“Temos provas irrefutáveis de que se trata de uma nova encenação e que os serviços especiais de um Estado actualmente na primeira linha de uma campanha russófoba participaram nessa encenação”, disse o chefe da diplomacia russa numa conferência de imprensa.
Os Estados Unidos e aliados como o Reino Unido e a França ameaçam atacar a Síria em resposta ao alegado ataque com armas químicas de 07 de abril contra Douma, nos arredores de Damasco.
A oposição síria e vários países acusam o regime de Bashar al-Assad da autoria do ataque, mas Damasco e Moscovo negam.
Lavrov advertiu de que uma intervenção militar ocidental na Síria pode “provocar novas vagas de migrantes na Europa”.
“Mesmo pequenos excessos podem provocar novas vagas de migrantes na Europa e outras consequências de que nem nós, nem os nossos parceiros precisamos”, mas que podem “alegrar os que estão protegidos por um oceano”, disse.
O ministro pediu, por outro lado, aos Estados Unidos que usem com Moscovo “métodos diplomáticos, que não incluem ultimatos nem ameaças”.
