O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes, afirmou ontem que a presença de “capacetes azuis” da ONU no Líbano, numa missão liderada pelo Brasil desde 2011, tem como objetivo “proteger a linha costeira libanesa”.

“Visitei hoje a base das forças marítimas, lideradas pelo Brasil, e estamos comprometidos com a segurança do litoral libanês”, disse Nunes à agência espanhola EFE.

A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL), criada em 2006 e dirigida pelo Brasil desde 2011, é composta por sete navios de diferentes nacionalidades.

A visita de Aloysio Nunes acontece numa altura em que aumenta a tensão entre Israel e o Líbano devido a disputas entre os dois países por águas territoriais que Beirute concessionou para exploração e aproveitamento de gás.

Em relação ao conflito israelo-palestino, o responsável brasileiro indicou que, tal como a ONU, o Brasil defende a necessidade de dois Estados que vivam em paz entre si.

O ministro insistiu que o estatuto de Jerusalém “deve ser decidido em negociações de paz, com a participação da comunidade internacional, para que [a cidade] possa ser visitada por fiéis das três religiões monoteístas”.

Aloysio Nunes, que chegou a Beirute, capital libanesa, na noite de domingo, encontrou-se com o primeiro-ministro, Saad Hariri, e com o seu homólogo, Gebrán Basil, tendo ainda previsto um encontro com o chefe de Estado do país, Michel Aoun, e o presidente do Parlamento, Nabih Berri.

Em declarações à imprensa, após o encontro com Basil, o diplomata apontou que as relações entre o Brasil e o Líbano são “importantes e estreitas”, não apenas a nível “político e económico, mas também devido à presença de libaneses e seus descendentes” no país da América do Sul.

“Examinámos não apenas as relações históricas, mas também as perspetivas de futuro. O Brasil sempre foi solidário com o Líbano, os seus esforços e desafios, incluindo o problema dos refugiados, os investimentos necessários para infraestruturas e para equipar as suas forças armadas”, disse Aloysio Nunes.

O ministro salientou que as responsabilidades com os refugiados devem “ser partilhadas com todos os países e não apenas pelo Líbano”.

Depois do encontro com Hariri, o ministro revelou que convidou o chefe do governo libanês para uma visita ao Brasil, e comunicou que o Presidente brasileiro, Michel Temer, pretende viajar com a sua família até ao Líbano no final do ano.

O chefe de Estado brasileiro é descendente de imigrantes libaneses que se radicaram no Brasil na década de 1920.

O Líbano, juntamente com países como a Jordânia, Turquia, Iraque ou Egito, tem sido um dos principais destinos dos 6,6 milhões de civis que abandonaram o território sírio desde o início do conflito interno em 2011.