A polícia anti-motim catalã interveio hoje para desbloquear uma autoestrada na Catalunha, cortada por militantes independentistas em protesto contra a detenção na Alemanha do ex-presidente do governo catalão Carles Puigdemont, que poderá ser extraditado para Espanha.

A polícia regional catalã (Mossos d’Esquadra) fez uma intervenção para remover o bloqueio montado de madrugada na autoestrada em Figueras, perto da fronteira com a França. O bloqueio foi montado por dezenas de manifestantes organizados por uma plataforma independentista radical, os Comités de Defesa da República (CDR).

A televisão regional difundiu em direto as imagens dos polícias a levar, um por um, os militantes independentistas, sob os apupos de outros manifestantes.

Outras estradas estiveram cortadas ao longo do dia, impedindo por alguns instantes os acessos a Barcelona, onde no domingo milhares de manifestantes enfrentaram a polícia durante horas. Os confrontos de domingo fizeram pelo menos uma centena de feridos ligeiros, entre os quais 22 polícias.

Os CDR, que segundo a polícia contam com alguns milhares de membros, anunciaram na segunda-feira o início de uma “Primavera de protestos permanentes”, afirmando que a detenção de Puigdemont marcava “um ponto de não retorno” para o movimento separatista.

Alguns dos principais partidos independentistas (Junts per Catalunya e Esquerra Republicana Catalana) foram decapitados nos últimos meses por uma série de processos judiciais e ordens de prisão. A mais recente foi a detenção, no domingo, de Puigdemont, que há cinco meses estava fugido à justiça espanhola na Bélgica.

O antigo presidente catalão, destituído por Madrid depois de ter declarado unilateralmente a independência da Catalunha, a 27 de outubro, encontra-se detido na cidade alemã de Neumünster. Puigdemont aguarda uma decisão do tribunal de Kiel sobre se será ou não extraditado para Espanha, onde é acusado de rebelião, sedição e peculato.

Doze outros dirigentes independentistas foram acusados de “rebelião”, o que lhe pode valer penas de prisão de até 30 anos.

No total, 25 dirigentes independentistas foram acusados, dos quais 12 por delitos menos graves como “desobediência”.

Nove estão na prisão em Espanha e sete fugiram para o estrangeiro - sobre seis deles recaem mandados de captura.

Todos são acusados de ter preparado, durante anos, a rotura com Espanha, que redundou na declaração de independência de outubro. Fizeram-no, afirmam os tribunais, em desrespeito pelos sucessivas avisos e advertências dos tribunais e do governo central.