Declarações no final do encontro particular Portugal-Holanda (0-3), disputado em Genebra, na Suíça:

Fernando Santos (selecionador de Portugal): “Quando se perde, as equipas não podem estar bem, mas há que dar mérito à equipa da Holanda, que defendeu sempre muito bem, com linhas muito fechadas sem dar espaço. Quatro oportunidades e três golos, aproveitamento máximo. Quando a equipa joga mal é culpa própria, mas também por culpa do adversário, que esteve muito bem.

Há dois anos, antes do Europeu, também perdemos em casa com Bulgária. Portugal, em termos de jogos oficiais, tem apenas uma derrota. Confio em absoluto nos jogadores e não tenho duvida nenhuma que responderão à altura no campeonato do Mundo.

É um resultado desnivelado, pesado, que nos deixa pouco agradados, seguramente. Uma primeira parte em que eu entendi -- e a responsabilidade é minha -- procurar uma solução de jogo em relação ao que tinha visto do encontro da seleção da Holanda (0-1 com Inglaterra).

Na primeira fase de jogo, até ao golo da Holanda, Portugal não esteve mal. Não diria bem, mas razoável. Em termos de posse, controlo de bola, tivemos mais jogo. Podíamos ter tirado proveito o que tínhamos trabalhado no papel. Essencialmente, estivemos desequilibrados no momento de perda e ação defensiva.

O golo da Holanda nasce de um momento desses, quatro jogadores para recuperar a bola e deixámos o adversário fazer contra-ataque. Fomos pouco agressivos. O jogo complicou mais, pois a Holanda recuou mais e apostou em saídas para o contra-ataque.

A equipa foi tentando. No processo ofensivo ainda tentámos, mas no defensivo tivemos dificuldade. A responsabilidade é minha.

Ao intervalo, falei com os jogadores e na segunda parte mostrámos outra forma de estar, fomos mais equipa no global e em vários momentos de jogo. Fez com que equipa da segunda parte logo nos primeiros minutos chegasse mais vezes à baliza, ganhasse mais segundas bolas. É verdade que não marcámos.

Com a expulsão (João Cancelo, aos 61 minutos), a equipa esteve muito bem, soube reagrupar-se. Não permitiu à Holanda fazer o mesmo da primeira parte. Não me lembro uma situação de perigo, tirando na parte final, na qual tivemos nós três/quatro oportunidades. Merecíamos um golo. Parabéns à Holanda e a responsabilidade é acima de tudo no treinador.

Tiro todas as ilações da minha parte estratégico/táticas e evolução dos jogadores. Temos de tirar todas as ilações do jogo. As que o treinador encontra que não tem a ver com o que se pretende da equipa. E no plano individual, tiro sempre algumas conclusões. Ate porque estamos perto da convocatória e temos de retirar conclusões. É lembrar o que não fizemos bem -- eu e jogadores --, mas também algumas coisas positivas, que podemos sempre retirar. Nem que seja eliminando o negativo.

Nestes dois próximos meses, não posso trabalhar com os jogadores, mas o treinador tem muito para fazer. Olhar detalhadamente para a equipa no global -- não apenas neste jogo --, ver o que faz muito bem e o que pode não fazer tão bem. Temos de ser aquela equipa rigorosa que fomos no campeonato da Europa e apuramento, exceto no primeiro jogo com a Suíça. A equipa que defende e ataca bem e hoje não fizemos isso”.