Milhares de pessoas estão hoje a protestar nas ruas de Barcelona contra a detenção do ex-presidente do Governo Regional da Catalunha Carles Puigdemont e a prisão de cinco políticos independentistas, o que já levou à intervenção da polícia.

Há milhares de manifestantes concentrados em frente à delegação da Comissão Europeia em Barcelona e outros milhares junto ao gabinete do representante do Governo espanhol na Catalunha.

Os manifestantes exigem a libertação do ex-presidente Puigdemont e dos cincos políticos independentistas que foram presos na sexta-feira por ordem do Supremo Tribunal.

Os protestos, organizados pelos Comités de Defesa da República (CDR) e pela Assembleia Nacional da Catalunha (ANC), deveriam juntar-se em frente à delegação da Comissão Europeia em Barcelona e terminar em frente ao consulado da Alemanha, localizado em Port Olimpic, mas o trajeto foi separado.

Os elementos que participam no protesto convocado pelos Comités de Defesa da República estão agora concentrados junto ao gabinete do representante do Governo espanhol na Catalunha, onde a polícia antimotim já teve que intervir, impedindo o avanço da multidão.

Nos protestos, os manifestantes exibem cartazes e gritam “Puigdemont, nosso presidente”, além de apelarem a uma nova greve geral e pedirem a libertação de “presos políticos”.

A polícia alemã deteve hoje Puigdemont junto à fronteira com a Dinamarca.

A detenção acontece na sequência de um mandado de detenção europeu e internacional por parte do Supremo Tribunal espanhol, que na sexta-feira decidiu também aplicar prisão efetiva sem fiança a cinco políticos independentistas catalães, acusados de delito de rebelião, no quadro da tentativa de criação de uma república independente na Catalunha.

Pedidos de libertação em Bruxelas

Dezenas de manifestantes exigiram hoje em Bruxelas liberdade para os políticos independentistas catalães presos, coincidindo com a detenção na Alemanha do ex-presidente do governo regional catalão Carles Puigdemont, refugiado na Bélgica há quase cinco meses.

A concentração, convocada pela Assembleia Nacional Catalã (ANC), antes da detenção hoje de Puigdemont quando regressava de uma deslocação à Finlândia, teve lugar junto à sede da Comissão Europeia e viam-se cartazes com frases a pedir liberdade “para os presos políticos” e contra o silêncio da União Europeia (UE).

Os presentes gritaram frases como “Viva a Catalunha, viva a república” e contra o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, (”Rajoy, criminoso”).

“É uma Espanha de tempos franquistas. Quanto à Catalunha, é uma Espanha que não conhece o diálogo, que põe as pessoas na prisão por risco de fuga”, disse, em declarações à Efe, Núria Bordes, membro da ANC, considerando que a acusação de rebelião “não tem qualquer justificação”.

O eurodeputado nacionalista flamengo Mark Demesmaeker considerou, por sua parte, que a detenção na sexta-feira de cinco políticos independentistas catalães e hoje de Puigdemont constitui “uma escalada” da tensão.

“A Europa está construída com base em valores democráticos, em direitos e liberdades de cidadãos livres de exercer os seus direitos políticos e claramente esse não é o caso de Espanha”, considerou, pedindo “diálogo” e “negociação” para resolver esta crise política.