
1. Atravesso o deserto da ponderação se devo ou não continuar a escrever neste Diário de Noticias da Madeira. Está em causa o meu conceito de liberdade de expressão “tipo” pastilha elástica esticada e a manutenção do direito de informar do Diário. Ponderação serena e bilateral. Um não caso a merecer um definitivo ocaso.
2. Devo a este Diário o estatuto de poder escrever sem qualquer risco azul. Muitas vezes negociando termos, é verdade, mas, com dois percalços em 27 anos, sem censura alguma sobre o conteúdo do escrito. Zero. Os efeitos pessoais, editoriais e empresarias são assuntos de reserva que levo num compartimento multiusos do meu caixão ou pulverizado nas cinzas a jogar no mar do Clube Naval do Funchal. É o domicilio aquático ideal para o repouso definitivo do meu esqueleto. A alma nunca se molha.
3. Estive deste lado da noite opinativa quando o Diário de Noticias da Madeira era enforcado financeiramente pela concorrência desleal do “chulo” do JM e literalmente rasgado pelo Dr. Alberto João Jardim em termos de direito de informação perante o silêncio cúmplice e cobarde do PSD-M. Mesmo agora, 50 milhões de euros depois do enterro do “chulo”, eis-me aqui a dar o corpinho ao manifesto pela liberdade de expressão na Madeira. Não me contento com agradecimentos. Vamos a tirar as calcinhas.
4. Hoje é perigoso espreguiçar-se neste nobre espaço público. Sexo à parte, tenho saudades de Alberto João Jardim. Sem ele perdi a referência estética da escrita. E se piada tinha, perdi-a toda. Querem um desenho? Agora é a Paula Cabaço que vai às RUP`s em Bruxelas. Donde, até ver, presume-se que foram à vida os primorosos devaneios esculpidos na capital da Europa.
5. Nada me prende a estes escritos públicos para além do amor que nutro por este Diário. Mas os tempos são outros, a geração de leitores é outra, a política é outra, o jornalismo é outro, as pressões são outras, eu sou outro – outra é a Madeira. O recato público começa a roçar a obrigatoriedade de dar o lugar a outro e passar à clandestinidade. Ao som esquartejado do silêncio.
6. A liberdade de expressão e de informação são-me totalmente intocáveis. Em nome delas – e do equilíbrio hercúleo do Ricardo Miguel Oliveira para manter isenta a informação deste Diário – deixo-me por aqui preso em arame farpado. Ao mínimo sinal exterior e interior a luz apaga-se. Bom dia.