Os trabalhadores dos CTT iniciam a partir da meia-noite a segunda greve geral em dois meses, após dois dias de paralisação em dezembro, seguindo-se uma manifestação em Lisboa contra a falta de condições laborais.

As ações são organizadas pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Correios e Telecomunicações (SNTCT), pelo Sindicato Democrático dos Trabalhadores das Comunicações e dos Media (SINDETELCO), pelo Sindicato Independente dos Correios de Portugal (SINCOR), pelo Sindicato Nacional Dos Trabalhadores Das Telecomunicações e Audiovisual (SINTAAV) e pela Comissão de Trabalhadores.

Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral do SNTCT, Victor Narciso, explicou que “esta greve e a manifestação nacional a realizar em Lisboa na sexta-feira têm a ver com a defesa da prestação de um serviço público de correios de qualidade, porque é isso que garante os postos de trabalho e é isso que garante que as estacões de correio estejam abertas com proximidade às populações, nomeadamente do interior”.

Aludindo ao Plano de Transformação Operacional dos CTT apresentado em dezembro passado -- que prevê a redução de cerca de 800 trabalhadores na área das operações em três anos e a otimização da rede de lojas, através da conversão em postos de correio ou do fecho de lojas com pouca procura -- o responsável alertou que “estão em causa muitas centenas ou milhares de postos de trabalho se isto continuar”.

“Não queremos os despedimentos que eles anunciaram, mas queremos mais trabalhadores, porque o serviço universal de correios não está a ser prestado com qualidade por não haver trabalhadores que cheguem”, frisou Victor Narciso, exemplificando que isso leva a que “o correio chegue com atraso às pessoas” e a que as “filas de espera nas estações de correio sejam de 40 minutos a uma hora”.

Quanto às estações a encerrar, inicialmente foram apontadas 22, mas o número baixou depois para 19 com a criação de novos postos dos CTT em locais como juntas de freguesia ou estabelecimentos comerciais.

Entretanto, os sindicatos avançaram esta semana que poderão ser até 40 estações, número que a empresa veio rejeitar, esclarecendo que encerraram 16 pontos de acesso do universo de 22 anunciados e que foram abertos 10 novos postos de correio.

A greve de 24 horas estende-se a todas as estações e espaços dos CTT do país.

Na sexta-feira, decorre, a partir das 14:30, uma manifestação da praça do Marquês de Pombal até à residência oficial do primeiro-ministro, António Costa, em São Bento, local onde as estruturas representativas dos trabalhadores entregarão documentos a exigir a reversão da privatização da empresa.

Para a greve, Victor Narciso estimou uma “boa adesão”, ainda que admita que muitos espaços não fechem pois “basta ter a chefia a trabalhar para a estação não encerrar”.

Quanto à manifestação, o sindicalista apontou para um total de “três a quatro mil pessoas”, incluindo, trabalhadores, utentes e autarcas.