No debate sobre a intervenção psicossocial em crise e catástrofe: aprendizagens da experiência da Madeira e de Pedrógão Grande, Rui Pedro Ângelo, Autoridade Nacional de Protecção Civil, disse que nestes casos “a psicologia tem um papel fundamental”.
“A psicologia pode intervir desde o primeiro segundo a seguir ao incidente e ao desastre, aquilo a que nós chamamos a prestação de primeiros socorros psicológicos, que é procurar ajudar a vítima a lidar do ponto de vista emocional com o que aconteceu”, explicou, esta tarde, no Teatro Municipal Baltazar Dias, onde está a decorrer o evento ‘A Psicologia ao Serviço das Pessoas’.
Rui Pedro Ângelo afirmou que depois disso é realizada “uma intervenção a partir das 24 horas”, onde a vítima é ajudada a lidar com a situação mais recente e “com a maneira como interpreta esse evento”.
“Esta é uma intervenção que pode ser feita dias ou semanas depois, até para eventualmente poder despistar alguma situação mais traumática do ponto de vista psicológico e, assim sendo, fazer outro tipo de intervenção”, referiu.
O orador disse que o papel do psicólogo e as técnicas que utiliza vão sendo diferentes consoante “a fita do tempo” desde o início da catástrofe até ao momento em que está com a vítima.
“O apoio psicológico em emergência visa minimizar a probabilidade de a pessoa vir a desenvolver um trauma psicológico. Depois se o trauma psicológico já estiver instalado, passamos à psicologia clínica, no âmbito da psicotraumatologia, e aí a intervenção no trauma é como as outras intervenções na depressão e na ansiedade que tem sempre elevada probabilidade de êxito, podendo haver a necessidade de ser complementada com fármacos”, concluiu.
Apenas 10 psicólogos trabalham nos lares e centros de dia
Manuela Silva, do SESARAM, abordou ‘O envelhecimento como área central de intervenção psicológica’ e, na oportunidade, revelou que na Região existem poucos psicólogos ligados a esta área.
“No mês passado foi feito um levantamento e nem chegam a 10 aqueles que trabalham nas instituições, lares e centros de dia. Este é um número muito pequeno para o número de idosos e de pessoas que frequentam esses centros”, afirmou, acrescentando que ainda há um “longo caminho” a percorrer.
