Há anos, quando tinha de preparar uma intervenção pública, por exemplo, uma conferência, procurava informação numa biblioteca ou comprava um ou mais livros numa livraria. Em casos especiais, dirigia-me a alguém em quem confiasse e que considerasse especialista na matéria para tirar dúvidas ou colher informação mais especializada.

Assuntos havia em que sentia alguma necessidade de aprofundar a matéria e, aí, aparecia a dificuldade de encontrar, facilmente, fontes credíveis.

A informação era cara, difícil de obter e um bem precioso.

Quando precisava de contactar alguém distante, o mais certo era escrever uma carta, enviá-la pelo correio e aguardar a resposta. Em situações de grande urgência, utilizava o telegrama ou, mesmo, o telefone.

Trocavam-se ideias, trocavam-se livros, trocavam-se cartas.

Esperava-se pelos diários para saber as notícias, tantas vezes chegadas com considerável atraso.

Os tempos mudaram, as técnicas e as tecnologias evoluíram. Surgiram outros meios de comunicar. Criou-se a expectativa da comunicação instantânea e universal. Surgiu a comunicação instantânea e universal. Primeiro através do uso generalizado do telefone; mais recentemente, passando a correr pela história da comunicação, o telemóvel e o computador portátil.

Com o desenvolvimento da informática, cerca de 1982, surgiu o email. O correio instantâneo. Surgiram as redes de computadores, os motores de busca, as bases de dados digitais, as plataformas comunicacionais.

Começou, nesse momento, a circulação da informação em quantidades enormes e em tempos mínimos.

Daí à saturação de informação, a que hoje se assiste, foi um rápido passo.

De início, foi a euforia do acesso rápido e fácil a quantidades imensas de informação. Logo depois, a preocupação com a fiabilidade dessa informação e a dificuldade de gerir o afluxo massivo e constante de “notícias”.

Propiciou-se a facilidade de manipulação indiscriminada da informação e as “fake news”.

As redes electrónicas tornaram possível o sonho. Tornaram, também, possível a saturação. A dificuldade de destrinçar o que é real do que é virtual, o que é verdade do que é manipulação.

A incerteza em relação à fiabilidade das fontes. A circulação instantânea de quantidades enormes de notícias falsas que, ao serem repetidas e citadas ao infinito, tornam excessivamente difícil aferir da sua veracidade (o ‘triunfo’ de Goebbels?).

O consumidor de informação (qualquer um de nós) necessita de encontrar estratégias para enfrentar a situação. Precisa de recorrer a filtros, de seleccionar...

O acesso à informação é tão indiscriminado e fácil que, se por acaso a procuro nas plataformas e motores de busca actuais, o mais certo é aparecerem-me milhões de textos, milhares de links, tornando praticamente impossível a sua utilização em tempo útil.

Assim, a informação tornou-se, simultaneamente, acessível (e barata) e difícil de utilizar.

Muitas vezes recordo, com alguma nostalgia, o tempo em que procurava informação numa biblioteca ou num livro adquirido numa livraria ou pedido emprestado a um amigo.

Antigamente, com alguma frequência, era difícil recordar, ou encontrar, a informação necessária. Actualmente é imperioso fazer um esforço para “esquecer” as toneladas de informação que nos caem em cima e tentar conseguir seleccionar a que nos pode ser útil.