1 de Dezembro. Acendem-se as luzes. Começa a festa. Escancaram-se as carteiras. O povo enganado sai à rua. Enganado porque meia cidade do Funchal ainda está às escuras. Enganado porque ainda não tem educação para estar em sociedade. Enganado porque teria sido mais prudente ter ficado em casa. Enganado, o seu modo de vida há muitos e bons anos. Todo aquele que tem olhos para ver e não só para pintar ou passear óculos observou este sábado um verdadeiro espelho da mediocridade deste gentinha que morre se não postar nos ‘faces’ a porcaria que faz. É carros estacionados por todo o lado. É lixo para o chão. É garrafas compradas no supermercado para tornar a noite mais barata por tudo o que é canto. É miadelas pelas esquinas deste mundo, É vilanagem de um povo que se diz superior mas é pequeno. Não chega aos calcanhares dos que foram obrigados a viver na rua e está a léguas dos desenrascados. Gabam-lhe a simpatia. Mas é parolice. Festas destas não, obrigado. Nem como o melhor papel de embrulho conseguem surpreender a criança que há em mim.
José A. Rodrigues