
Há dias aproveitando um dia de sol outonal fui visitar o Paul da Serra. E deparei-me com a obra, finalmente no terreno, daquele que deve ser o mais importante projecto de investimento público dos últimos anos. E quanto à valência ambiental, com certeza, o de maior destaque e valia. Trata-se da ampliação do aproveitamento hidroelétrico da Calheta.
Um empreendimento grandioso que alcançará vários objectivos prementes e primordiais para os tempos que correm.
É sabido que a produção de electricidade na Região é maioritariamente de origem térmica (cerca de 70%) recorrendo à importação de combustíveis fósseis. Apesar do esforço que nos últimos anos se fez nas energias limpas, em particular na eólica e fotovoltaica.
Tendo em conta a meta apontada para chegarmos aos 50% de renováveis no fabrico de energia eléctrica, era fundamental cuidar das carências para o armazenamento e esta edificação apresenta solução adequada nesse campo. Tal como o melhoramento da segurança do aprovisionamento.
Acresce o aumento substancial de eólica e hídrica que nos levará a patamares nunca dantes chegados, a rondar os 40 % (hoje estamos nos 30%) de penetração de renováveis no total da produção. Tornando-nos cada vez menos dependentes do exterior e menos sujeitos a crises particularmente as que, eventualmente, possam suceder com o petróleo.
Adicione-se a subtracção substancial da emissão de CO2 (12,5% para a meta de redução global de dióxido de carbono em 2020) um contributo essencial para a diminuição anual das emissões de gases com efeito de estufa.
E acautela a imprevisibilidade das alterações climáticas e provável influência na variabilidade dos recursos hídricos tendo em atenção o efeito que poderão provocar na redução de energia com esta origem a médio e longo prazo.
Realce ainda para o aparecimento de uma reserva de água de um milhão de metros cúbicos na albufeira/barragem do Pico da Urze. Com utilidades diversas para além da principal, desde reservatório para consumo e rega em situações emergentes de falta ou para ajuda no combate aos fogos florestais caso necessário.
A Madeira e a sua população devem estar gratas porque é do presente e do futuro dos nossos que se está ali a tratar. Tornando-nos mais independentes no sector energético, menos sujeitos ao mercado exterior, cuidando preventivamente das situações imprevistas que virão com as alterações climáticas e tomando as preocupações ambientais a sério, perspectivando o amanhã.
Este projecto de grande dimensão e impacto orçará os 70,6 milhões de euros sendo que 45 deles serão comparticipados por fundos europeus.
E em termos económicos representa valores acima dos cento e trinta milhões. Basta que pensemos, entre outros, no que se poupa em importações e o investimento distributivo que os valores poupados farão na economia regional.
A obra garante até final 300 postos de trabalho e, depois, 7 em funcionamento.
Ficará concluída já em finais de Agosto do ano que vem.
Então chegará a hora de cumprimentar todos os envolvidos e em particular a EEM por ter pensado grande quando alguns ainda pensam pequeno. O andar do tempo encarregar-se-á de fazer justiça a quem de direito, desde já merecedores dos mais rasgados encómios.
Quanto ao concelho da Calheta para além de referência como destino turístico com oferta serra/mar de elevada qualidade, depois do mais importante centro cultural da Região passa a ter também uma das mais relevantes infraestruturas em termos energéticos e ambientais da Madeira. E como as terras também se fazem de referências, aí está mais uma.