
Há uns anos atrás, convidaram-me para uma limpeza de praia. Confesso que, quando olhei para a praia em questão, ainda perguntei aos meus botões: “mas limpar o quê?” A praia de areia, que situava-se algures na costa oeste da Austrália, circundada por frondosas e majestosas árvores, parecia genuinamente imaculada. Mas no final da manhã, não só tinha uma dor nas costas, como tinha recolhido um saco inteiro de lixo. E o que é que mais encontrara, entre toda a espécie de embalagens? Cotonetes e palhinhas...
Mais tarde, tive o privilégio de visitar a ilha do Príncipe, ao largo da Guiné Equatorial. Ali, por razões que a limitação de caracteres não permite explanar, o plástico foi banido integralmente. Naquela semana, pude observar in loco, como a população se adaptara perfeitamente a viver sem a ajuda desse material.
Mas restava a curiosidade de perceber como as unidades hoteleiras teriam reagido, já que a leveza, o custo e a moldabilidade, tornam-no extremamente útil. Foi quando pedi um sumo natural e recebi um coco, com uma palhinha de aço inox, que compreendi que a mudança tinha sido perfeitamente assimilada e assumida.
Mais recentemente, no Texas, participei num evento onde não foi utilizado um único utensílio de plástico descartável. Os mais de 400 velejadores, ao longo de uma semana, provaram que é possível, num clima extraordinariamente agressivo, numa cultura que fomenta o consumismo imediato, estar ao mais alto nível – desportivo, organizacional, logístico - sem recorrer a esse material. Inspirados nesse evento, com a ajuda dos atletas, organizadores e até patrocinadores, realizou-se a Taça da Madeira de Standuppaddle, seguindo o mesmo mote.
Mas foi no Mercado dos Lavradores, quando me ofereceram uma palhinha de material orgânico, desta feita, de trigo, que soube estarmos também no caminho certo.
Oito milhões de toneladas de plástico acabam todos os anos nos oceanos. Todo esse material não desaparece como que por magia. Degrada-se em partículas cada vez mais finas, até entrar na cadeia alimentar da fauna marinha. E quem está no topo da cadeia? Exactamente, nós! Lentamente, tudo o que deitamos no mar, está a regressar a terra. Aos nossos pratos, ao nosso corpo...
Feliz Natal, sem palhinhas!