A Sociedade Portuguesa de Simulação Aplicada às Ciências da Saúde está na Madeira pela primeira vez a promover o seu congresso, este ano dedicado ao tema Inovação Tecnológica e Humanização no Ensino por Simulação em Saúde. A iniciativa decorre ao longo dia de hoje no Colégio dos Jesuítas, no Funchal, e contou com a presença do secretário regional da Saúde na abertura.
Pedro Ramos, à margem da intervenção, voltou a destacar o bom desempenho do Centro de Simulação Clínica da Madeira, que deverá ter novos investimentos nomeadamente na parte da anatomia para ir ao encontro das necessidades do 3.º ano do Mestrado Integrado em Medicina da Universidade da Madeira e que vai resultar de uma articulação entre o Serviço Regional de Saúde e a instituição de ensino superior. “Existem novas tecnologias que vão permitir articular o centro de Simulação Clínica da Madeira com a Universidade da Madeira no que diz respeito ao 3.º ano do Mestrado Integrado em Medicina, porque há modelos que de facto têm de ser adquiridos e que tencionamos adquiri-los”, disse o secretário.
O Centro de Simulação foi criado há seis anos com recurso a fundos comunitários, tendo até à data realizado quase 300 cursos para profissionais da Madeira e de fora, foram quase duas mil horas de formação e quase 4.500 formandos. “Eu acho que é um orgulho para a Região”, disse Pedro Ramos. “Conseguimos construir um centro de simulação avançado à custa das pessoas, à custa de médicos, de enfermeiros, de assistentes, de administrativos, de gestores, pessoas que de facto verificaram e têm a noção de facto que a simulação é muito importante para o nosso hospital”. O secretário defendeu que é preciso continuar essa aposta também em outras áreas. “Há seis anos a esta parte nós investimos na área médica, na área da enfermagem, nas competências técnicas, na área das competências não técnicas, mas há outras especialidades que o treino em simulação é um treino seguro, que permite a repetição, que permite o erro e que permite formar melhor os profissionais”.
Quanto ao novo hospital, Pedro Ramos não se comprometeu com uma nova data para lançar o concurso público, mas descarta que a demora comprometa todo o restante processo.
Regina Rodrigues é representante da Sociedade Portuguesa de Simulação Aplicada às Ciências da Saúde na Madeira e é directora clínica do SESARAM. Para a médica está é uma oportunidade de mostrar a nível nacional e internacional as instalações e todo o programa de formação do Centro.
A proximidade do Centro de Simulação Clínica da Madeira com as unidades de saúde favorece o trabalho de equipas multidisciplinares e permite criar muitos cenários fora do centro. “O centro vai ao encontro dos locais de trabalho, do dia-a-dia dos profissionais, criar o mais fielmente possível, o mais realisticamente possível os cenários e as situações”. Numa população como a da Madeira, diz, isto é particularmente importante, pois os eventos na medicina que são raros, tornam-se ainda mais raros. “É importante que os nossos profissionais estejam preparados para, na eventualidade de um acontecimento raro, saibamos actuar da forma mais desejada, e isso só é possível com treino em simulação, permitindo que se desenvolva cada uma das fases do treino sem qualquer quebra de segurança para ao doente.”
Neste momento o Centro está bem posicionado a nível nacional, sublinhou a médica, revelando que nesta fase estão articulados cursos com universidades e com escolas superiores de enfermagem e até com o Colégio da Especialidade de Anestesiologia para formações.
“A simulação é indiscutivelmente o futuro”, acredita a médica. “Nós não podemos colocar no doente as nossas fragilidades”, afirmou.
Neste encontro participam 145 pessoas de várias partes de Portugal, do Brasil e de Espanha.

