Filipe Faísca é um dos criadores confirmados para o Moda Madeira deste ano, evento promovido pela Associação de Jovens Empresários Madeirenses (AJEM) a decorrer no Madeira Tecnopólo nos dias 30 de Novembro e 1 de Dezembro. A marca regressa nove anos depois com uma abordagem focada no Bordado Madeira e na Macaronésia, mantendo o desejo de ser uma montra do que de melhor se faz na moda regional. O evento foi apresentado esta tarde no âmbito da Cidade do Empreendedor que decorre no mesmo espaço. Amanhã pelas 18 horas realiza-se no local um casting para encontrar cerca de duas dezenas de modelos para a passerelle, masculinos e femininos.
O Moda Madeira foi criado em 2005, teve edições até 2009. Volta agora com novo fôlego e com desejo de se manter por mais anos. A nova abordagem com enfoque na internacionalização, assim como a aposta num formato partilhado com Açores, Canárias e Cabo Verde permitiu apresentar uma candidatura a fundos comunitários para os anos de 2019, 2020 e 2021, revelou Nuno Agostinho, da direcção.
Certa é a edição deste ano. O programa abre em cada um dos dois dias com um dos vencedores do concurso de jovens talentos Primeiro Corte. Sara Gomes desfila na sexta-feira. Será seguida pelas colecções das marcas Malonas, Karla Vieira e por Mariana Sousa, que já pisou o Moda Madeira, então enquanto manequim. Hugo Santos também é um dos nomes que fizeram parte do evento e que regressa. Será seguido das propostas de Sara França, dos Açores, e de Filipe Faísca, criador nacional que já desfilou no Moda Madeira no passado e que colaborou este ano com o Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira, criando uma colecção inspirada no Bordado Madeira. É um dos criadores assíduos dos maiores eventos da moda nacional.
O segundo dia começa com o outro vencedor do Primeiro Corte, Henrique Teixeira. Depois desfila uma colecção com base em vimes e bordado, criada pelas marcas MadeinMadeira e Madeira Embroidery Shoes. Lúcia Sousa também regressa ao evento, foi uma das criadoras que ajudaram a consolidar o evento, assim como Patrícia Pinto, que também vai apresentar a colecção nesta passerelle. Entre as duas, pode ver as propostas da madeirense Sandra Vieira e da cabo-verdiana Cindy Monteiro. O segundo dia fecha com o desfile de Amarca, dos canarinos Itahisa Garcia e Sergio Lopez.
Na apresentação, o presidente da AJEM fez questão de esclarecer que o Moda Madeira não é apenas um desfile de moda, é um projecto integrado. E acrescentou que apesar de não se ter realizado nos últimos anos, não deixaram de apoiar a moda e os criadores madeirenses.
O projecto mantém duas frentes associadas: o Bordar Madeira, que destaca o bordado tradicional através de novas abordagens, este ano Amarca vai apresentar uma colecção com recurso a este trabalho artesanal, e o concurso de jovens talentos, que já existia, e que agora ganhou um nome.
O Moda Madeira vai ter a par dos desfiles a componente de showroom, no fundo vai ter montras para os criadores mostrarem o trabalho, estabelecerem contactos e comercializar as colecções.
Paula Cabaço esteve presente na apresentação, falou do regresso de um “evento icónico da Região”. Acredita que faz sentido os 600 anos se associarem ao projecto. Por um lado, justificou a secretária regional do Turismo e Cultura, porque as celebrações têm como princípio ser transversais e abrangentes, envolver a sociedade civil e os diversos sectores de actividade. “Por isso fazia todo o sentido que envolvêssemos os jovens empreendedores”. Por outro, é uma iniciativa que vem promover e dar a conhecer os criadores madeirenses e outros convidados, e que vem “criar oportunidade para jovens talentos”, destacou. “Cada vez mais temos estudantes empenhados, profissionais qualificados e que muitas vezes o que precisam é no fundo de um palco de uma oportunidade para dar a conhecer os seus projectos”. A par disso, acrescentou, o facto de várias colecções se inspirarem no Bordado Madeira, constitui uma oportunidade de aproximar os mais jovens deste produto e dar a conhecer as suas especificidades e versatilidade, promovendo e projectando o bordado fora da Região.
Este ano a maior parte da produção será feita por equipas e empresas da Madeira. “Significa que evoluímos bastante desde 2005”, disse Nuno Agostinho.

