A Assembleia Nacional da Venezuela, na qual a oposição detém a maioria, decidiu hoje criar uma comissão especial para investigar os diferentes processos judiciais em curso no estrangeiro contra funcionários do Governo do Presidente, Nicolás Maduro.

A criação da comissão especial foi aprovada durante uma longa sessão ordinária, com base numa proposta do deputado vice-presidente do parlamento, Alfonso Marquina, e teve lugar no mesmo dia em que um tribunal dos Estados Unidos da América condenou o ex-tesoureiro da Venezuela, Alejandro Andrade Cedeño, a dez anos de prisão por conspirar para branquear 1.200 milhões de dólares da empresa estatal Petróleos da Venezuela.

Apesar de a oposição deter a maioria do parlamento, a aprovação da criação da comissão não contou com o voto unânime dos oposicionistas e não participaram os deputados da minoria que apoia o chavismo.

“A Venezuela do passado era pujante. Hoje, muitos estão no êxodo. Há corrupção desde a cúpula governante. Não há controlo de nada neste Governo. Não há controlo sobre os gastos públicos, com exceção da Comissão de Finanças desta Assembleia Nacional, que passa informação oficial sobre o tema financeiro e publica dados, porque o Banco Central da Venezuela não o faz” disse o presidente da Comissão de Controlo do parlamento, durante a sessão.

Segundo Freddy Superlano, a Venezuela é hoje “um país devastado”, onde “reina” a impunidade”.

“Somos cínicos ao escolher um amigo do casal presidencial como controlador-geral da República que vota por si mesmo. Recordamos o presidente do Supremo Tribunal de Justiça que proibiu que investiguemos os funcionários e um procurador-geral que implementa justiça seletiva, entre outros”, frisou.

Por outro lado, Freddy Superlano explicou que as investigações revelam que houve uma fuga de capitais entre 219 milhões de dólares e 400 milhões de dólares no país em 20 anos.

Acresce o caso da construtora brasileira Odebrecht que deixou “34 obras atribuídas para terminar, com sobrefaturação e não concluídas”.

Para os parlamentares o caso de Alejandro Andrade Cedeño “é um exemplo da corrupção”, em que “um guarda-costas de Hugo Chávez (presidiu o país entre 1999 e 2013) e depois ex-tesoureiro” outorgava todo o tipo de privilégios.

“Andrade, sentenciado a dez anos de prisão nos EUA, é apenas a ponta de um icebergue. Também temos o caso de Cláudia Díaz, antiga enfermeira de Chávez e o caso de Erick Malpica Flores [vice-presidente das Finanças da petrolífera estatal], familiar da ‘primeira combatente’ [mulher do Presidente da República]”, disse Freddy Superlano.