A secretária regional do Turismo e Cultura está a ser ouvida na Comissão Parlamentar de Economia, Finanças e Turismo da ALM, numa audição que reúne quatro pedidos de PS, CDS, PCP e BE. Paula Cabaço começou por ser questionada, por Jaime Leandro (PS), sobre as queixas apresentadas por guias-intérpretes, noticiadas pelo DIÁRIO em Setembro.

As guias diziam que a ‘Madeira está nojenta’ e davam exemplos concretos de situações graves em pontos de interesse turístico, além de alertarem para a falta de fiscalização da actividade de guias, das condições dos autocarros e do serviço prestado pelos motoristas, bem como a segurança e limpeza das levadas e veredas.

A secretária regional começou por lamentar que as queixas tenham sido apresentadas “nas páginas dos jornais” e garantiu que todas as situações deveriam ter sido denunciadas “nos locais próprios”. “Sempre que recebemos queixas, encaminhamos a informação e acompanhamos a situação”, assegura.

Sobre a actividade de guia-intérprete, lembra que “desde 2011 que o mercado é livre” e que “compete às empresas recrutar os profissionais que pretendem”. Além disso, sublinha, nunca terá recebido “reclamações de um mau serviço”. As guias, que foram ouvidas, ontem, na mesma comissão, queixam-se de estar a aguardar, há 10 meses, por uma reunião com a secretária regional.

Em relação à manutenção e de levadas e veredas, recordou que o governo investiu, este ano, cerca de dois milhões de euros.

Paula Cabaço aproveitou para informar que o último inquérito de satisfação, feito aos turistas, a Madeira tinha uma avaliação de 9, numa escala de 0 a 10.

Ricardo Lume (PCP) e Rodrigo Trancoso (BE) abordaram a situação a Escola de Hotelaria e Turismo e o facto de o governo ter prorrogado, por mais um ano, a concessão ao CELLF que tinha sido revogada, em 2015, originando um processo judicial.

O processo foi transferido para um tribunal arbitral, com a empresa a aceitar reduzir o pedido de indemnização. Independentemente do resultado, o governo regional continua a “recolher elementos” para definir o modelo de gestão da escola, continuando a preferir a opção pelo privado.

Rui Barreto, líder do CDS, confrontou a secretária regional do Turismo e Cultura com as quebras no turismo, ao nível de número de turistas e perguntou quais as medidas previstas, ao nível da promoção, atendendo a que, no próximo ano, a Madeira terá mais 2.500 camas na hotelaria.

Paula Cabaço apresentou números que mostram que o turismo, na Madeira, cresceu, de forma contínua, entre 2015 e 2017, sendo este o melhor ano de sempre. O Revpar (rendimento por quarto) aumentou 24,4% neste período.

No final de 2017 a Região foi confrontada com a falência de três companhias aéreas que garantiam importantes fatias dos mercados alemão e inglês. “A Madeira perdeu 140 mil lugares de avião” que teve compensar, o que terá sido conseguido, nos últimos meses, em colaboração com a ANA. Neste momento, garante, o mercado alemão está completamente recuperado e o inglês está muito perto disso.

O reforço da promoção só avançou quando foi garantida a recuperação de lugares de avião. No próximo ano, a associação de promoção terá um reforço de um milhão de euros do orçamento regional, passando a receber 7,3 milhões do governo.

Ao nível da formação de quadros para o sector do turismo, será desenvolvido, já neste ano lectivo, um programa de promoção das profissões deste sector, junto dos alunos das escolas da Região.