Tenho acompanhado toda esta polémica sobre o imposto a aplicar às touradas e felicito todos aqueles que têm publicamente repudiado a continuação da tortura e sofrimento animal apenas por mero divertimento e satisfação pessoal . Não compreendo e não aceito justificações daquilo que é injustificável. Li há dias, um desabafo de alguém, que dizia: ”vivo perto de uma praça de touros e toda a vez que oiço os vivas da multidão aplaudindo o toureiro a espetar uma farpa no touro, é como se me espetassem uma nas minhas costas...” Sei o que isso é , pois sinto o mesmo. É um sofrimento enorme, mas certamente insignificante, se comparado com o sofrimento real dos touros.

O jornal “ O Sol “ de 17 de Novembro faz destaque ao diferendo que se gerou entre o 1º ministro e Carlos César, com este, não avisando o 1º ministro de que os deputados socialistas tinham preparado uma alteração ao Orçamento que contraria a intenção do Governo de excluir a tauromaquia da redução do Iva para 6%. Ao lado, um artigo do deputado André Silva do PAN sobre esta questão, referindo o quanto o PAN tem mudado mentalidades e acordado consciências adormecidas. Mesmo dentro do partido socialista há já deputados que se recusam a apoiar os lobbies da tauromaquia.

Tenho visto alguns comentários acusando Costa de hipocrisia, pois em tempos idos condecorou um forcado e hoje tem-se manifestado contra a tauromaquia.

Todos erramos e prefiro acreditar que se pode mudar para melhor. Isso faz-me ter esperança na humanidade.

Há dias, a Manuela Moura Guedes comentou sobre esta questão. Dizia que, “proteger-se um gato ou cão porque é fofinho e maltratar-se um touro porque não o é, não faz sentido (+ - isto) e que, até há países (ex. México) que já estão a fechar praças de touros, e que precisamos de mudar mentalidades...” Fiquei admirada, pois tanto quanto sei ,ia a touradas acompanhada pela família. Mas se mudou e para melhor, fico contente. Todos erramos. Uns têm a capacidade e inteligência de mudar para melhor. Outros infelizmente não conseguem evoluir nunca. Talvez seja o caso dos tristes alegres e dos imperadores sem coroa ...

Ps. Recomendo a leitura do excelente artigo do escritor e sociólogo João Pedro Jorge “Bárbaros, porcos e maus” na revista Sábado de 15 a 21 de Nov. (Apenas discordo do termo “porcos” porque o animal com este nome, não merece ser associado ao sentido que vulgarmente damos ao nome).

Lucília Ferreira