
Trabalhei ontem com um grupo de israelitas. Independentemente de terem ou não gostado da sua estada na Madeira (em termos gerais gostaram), um veio perguntar-me, especificamente em relação ao porto, se a segurança não estaria demasiado relaxada.
Na altura achei piada ao comentário, desdramatizei, mas o homem insistiu, e referiu um caso na Bulgária em que uma bomba tinha destruído o destino – não porque tivesse morto muitas pessoas, mas porque tinha destruído a percepção de segurança do local.
E lembrei-me do motivo subjacente aos “anos cheios” (os últimos dois ou três), e da schadenfreude daí decorrente. E do pouco que se fez para fidelizar estes visitantes, e para valorizar e diferenciar o destino. E da falta de estratégia que parece continuar a nortear a gestão desta que é a mais importante actividade económica para a Região.
E pensei em tudo o que se faz e não se faz, em termos de cativar mercados alternativos, emergentes e/ou menos importantes, na pouca informação patente em alguns edifícios (por exemplo, na antiga sinagoga do Funchal), no pouco interesse manifestado por algumas entidades em abrir os seus espaços ao turismo (por exemplo, a catedral do Funchal).
Continua a incomodar-me a forma como se assediam potenciais clientes um pouco por toda a cidade (será que um turista tem mesmo de ser importunado a cada dez passos que dá? “Entre na loja”, “veja o menu”, “suba ao autocarro”, “compre um timeshare). Será mesmo esse o caminho que queremos (continuar a ) trilhar?
Será que queremos continuar a trabalhar pelo baratinho, e no desenrasque, e no estragar o negócio do vizinho porque não conseguimos fazer melhor no nosso?
Porque nesse caso talvez não seja precisa a bomba imaginada pelo meu cliente israelita...