A Venexos considera a campanha ‘Vidas que a tua ajuda salva’ “maravilhosa”, mas alerta para a necessidade de garantir que o trabalho é feito através das associações e que vai mesmo chegar às pessoas. A associação de apoio a emigrantes venezuelanos em Portugal, que nos últimos quase dois anos tem procurado levar medicamentos a este país, acredita que a iniciativa do Governo Regional em conjunto com uma entidade bancária, uma instituição de solidariedade e o DIÁRIO fazia falta. “Era mesmo essencial pensarmos neste tipo de solução, visto o estado em que está a Venezuela”, disse Lídia Albernoz.

A situação está pior do que as pessoas imaginam, diz esta professora, uma das vozes da Venexos. Acredita que esta campanha é muito positiva sobretudo porque vai mobilizar mais pessoas, vai dar outra força e visibilidade. No entanto, há cuidados a ter. “A mim o que me preocupa às vezes nestas parcerias é ‘Será que esta parceria terá alguma coisa a ver com o Governo da Venezuela?’ É preciso ter atenção que tudo o que é enviado pelo Governo de lá, é usado pelo Governo, não chega às pessoas”, alertou. “Eu faço questão de saber se será mesmo encaminhado para as pessoas que precisam, ou vai ser entregue ao Governo? Se vai ser entregue ao Governo, vai ser um falhanço completo”.

Lídia Albernoz não tem dúvidas de que fazer uma campanha com a envolvência do Governo Regional, terá um impacto diferente. “Eu fico muito feliz, fico muito contente. Seja lá qual for o partido, todos os partidos até deviam se unir nisto, porque é uma causa humanitária.”

A Venexos começou a trabalhar há cerca de dois anos. Agora está um pouco mais fácil a entrada de medicamentos, mas a colocação no país tem sido uma das grandes dificuldades, com muitos a irem parar ao lixo na entrada. “Abriam as caixas e deitavam fora, ou ficam os próprios guardas com eles e eram vendidos às pessoas da família, pessoas que eles conhecem, faziam negócio. Agora sabem que tem chegado ao destino fazendo a ponte com associações que trabalham na Venezuela.

Lídia Albernoz não sabe quanto em euros mandaram já em medicação. Tentam enviar uma encomenda a cada três semanas a um mês. “Têm sido enviadas muitas toneladas de medicamentos”, garante. O envio é feito em conjunto com a associação Venexus no continente. Curiosamente, ou não, a Madeira é quem mais contribui. “Temos mais quantidade enviada da Madeira do que o próprio continente”, revelou. “Tem sido muito importante”.

A ‘Vidas que a tua ajuda salva’ será lançada em breve, por parte do Governo através da Secretaria Regional da Educação, que tutela as Comunidades. Tem por objectivo obter fundos que garantam a compra e o envio de medicamentos necessários à comunidade madeirense radicada na Venezuela. A associação liderada neste momento por Aura Rodrigues está disponível para ajudar. “Vamos ajudar a facilitar o trabalho, que é muito”.