Ainda hoje, quando me deito, gosto de imaginar uma qualquer história. Normalmente é algo fantástico, como se ainda fosse criança. Esse início de sono retemperador, já teve muitos cenários. Aventuras que construía mentalmente até ao mais ínfimo pormenor. Mas há uma que recordo com especial carinho.

Lembro-me da primeira vez que li aquele episódio da maravilhosa colecção do Astérix e seus amigos. O druída Panoramix havia concebido umas bolotas mágicas que, ao serem deitadas ao solo, originavam instantaneamente uma frondosa árvore! Li fascinado como numa noite, divertiram-se a “plantar” enormes árvores um pouco por todo o lado. Da minha parte, adormeci sonhando que, desta feita, era eu que plantava enormes árvores por todo o Funchal. Qualquer bocadinho de terra era logo presenteado com uma! Mesmo onde o homem as havia cortado, por esta ou aquela razão, lá voltavam elas. E quando a cidade acordou no dia seguinte, era a cidade mais bonita alguma vez vista.

Atravessando Buenos Aires, desde a Aldeia Olímpica dos Jogos Olímpicos da Juventude, até ao magnífico Club Nautico San Isidro, recordei-me desse sonho de infância. Parecia que ali, alguém também lera aquela história e plantara árvores em todo e qualquer sítio que as pudesse suportar. Magníficas avenidas ladeadas por majestosos Plátanos, enormes Salgueiros, extensos parques com frondosos Jacarandás, Tipuanas Tipo, Sumaúmas, Eritrinas Crista de Galo entre tantas outras... nenhuma rua, avenida, praça, jardim, passeio deixa de ter esta presença natural, tornando a cidade aprazível para quem lá se encontra, até mesmo no caótico trânsito.

As árvores são um elemento essencial para as cidades. Não é só pela sombra que nos protege do sol inclemente. É também porque a sua presença, transforma um espaço artificializado na sua génese, transmitindo-lhe uma tranquilidade, uma serenidade mesmo, que toldo algum pode igualar. Como se de magia se tratasse...