Vinha, porque ainda não vi quem o fizesse, mau grado o impacto para os próprios, como para os Pais e Alunos, dar nota de uma situação que me parece de exaltar, atento o que está em causa na carreira dos Professores, mas também pelas mais valias que tal induz nos Pais e Alunos. No caso concreto destes, porque terão docentes mais motivados, mas também porque não sofreram, nem vão sofrer, por essa circunstância, os efeitos das greves, tal como sucede no resto do país. Refiro-me, em concreto, à decisão do Governo da Madeira, do PSD, de ter decidido contabilizar, para efeitos da progressão na carreira, todo o tempo de serviço que tinha sido “apagado” (para usar a expressão quer da FNE quer da FENPROF), o mesmo é dizer, 9 anos, 4 meses e 2 dias. Ora, para que se perceba o impacto desta medida e a mais valia para os Professores, Pais e Alunos da Madeira, o Governo da República, do PS, sonegou esse direito aos docentes do resto do país pois decidiu só contabilizar 2 anos, 9 meses e 18 dias. Ou seja, grosso modo, na Madeira, o Governo Autónomo contabiliza 3.362 dias e, na República, o Governo respetivo só considera 1.008 dias, o que significa, grosso modo também, só 30% do tempo que é considerado nesta Região Autónoma pelo seu Governo. A defesa da Educação, sabemo-lo, não passa só por esta variável, mas não pode sonegar-se o valor e a importância desta (que me impeliu a escrever esta carta) pois creio que a mesma explica, de algum modo também, o que tomei a liberdade de escrever, nestas páginas, no passado dia 1 de Julho, em artigo intitulado “Da Autonomia e da Educação”.
Francisco Santos