Privar os moradores do caminho dos Saltos e zonas limítrofes, de transporte público, por 45 dias, como consta do edital, é revoltante e simplesmente revela falta de sensibilidade e consciência para com os utentes, por parte da empresa promotora da obra (abertura de uma vala), a empresa de eletricidade da madeira, com a “bênção” da horários do funchal, pouco receptiva em encontrar alternativas. Também o “timing” não é o mais adequado porque deviam ter aproveitado a época estival e de férias escolares. Esperaram pela época das chuvas que causa grande transtorno à população da zona. Uma vez que à medida que vão abrindo a vala, vão retirando os inertes, ficando a restante faixa de rodagem devidamente limpa e transitável, Louvo a empresa desta obra pelo cuidado. Ao menos no interregno dos trabalhos, de manhã e ao final da tarde, há condições para serem efetuadas viagens até ao términus da carreira nº 19. Haja boa vontade da horários do funchal! Faço jus ao coronel morna que foi um bom gestor da horários do funchal. na sua gestão havia um serviço de excelência e o coronel tinha um verdadeiro “feeling” da empresa porque saía do gabinete e percorria algumas carreiras para detetar possíveis anomalias e poder corrigi-las. Foram muitas as vezes em que me deparei com a sua presença nas viagens que efetuei. Frequentemente recorria a inquéritos para aferir o grau de satisfação dos utentes, em relação ao serviço prestado pela empresa. Quando efetuavam obras neste troço do caminho dos saltos, havia quase sempre um plano B. contrariamente aquilo que acontece atualmente. O clima entre os moradores lesados é de revolta. Foram muitos os que me pediram que intercedesse junto das entidades competentes no intuito de abreviarem a obra e minimizarem o transtorno da falta de transporte. Algumas sugeriram alternativas que passo a citar: - como a empresa tem veículos de menores dimensões, podiam ser realizadas algumas viagens, subindo a Estrada dos Marmeleiros e descendo o caminho dos saltos, acima do hospital, efetuando a inversão de marcha no largo onde termina a carreira 19; ou as camionetas percorrerem a rua cónego Jaime Barreto e pararem junto a um beco que liga ao caminho dos saltos, tornando o percurso menos oneroso para os utentes. Também não sei porque motivo, enquanto a vala não chega à rua comendador césar Fernandes rosa, não se efetuam viagens até lá. A horários do funchal não deve fazer aos moradores do caminho dos saltos o mesmo que a tap está a fazer aos madeirenses! Pense nas pessoas primeiro, em quem suporta, com os seus impostos, a sobrevivência da empresa! De entre as pessoas revoltadas, saliento uma senhora na faixa etária dos 80, que com os olhos brilhantes que mais pareciam dois pirilampos, proferiu o seguinte: “ já viu? Onde andam os mendigos?” O meu ar atónito fez transparecer que não estava a descodificar a analogia que a mesma pretendia fazer. Na sequência disso, a senhora retorquiu: “ mendigos são os que na altura das eleições vêm mendigar votos nos partidos deles e agora não nos defendem.” Confesso que não me contive e, de cabisbaixo, esbocei um rasgado sorriso, sem tecer qualquer comentário. Mas no meu íntimo achava que a dita senhora tinha toda a razão. Não satisfeita, prosseguiu: “o mal disto é olharem para as pessoas como bonecos, que só servem para votar para eles irem para o poleiro e para pagar impostos. Há também quem me tenha confidenciado que dada a sua idade e dificuldade de locomoção, irá interromper consultas médicas e tratamentos de reabilitação. Pelo fato da horários do funchal e de eletricidade serem duas empresas públicas e pela consideração, amizade e valorizando, uma vez mais, o seu pragmatismo, solicito ao Dr. Miguel Albuquerque que interceda a fim de que seja encontrada uma solução a bem de toda a população lesada. Infelizmente há quem julgue que a culpa é do governo sem pensar que estas decisões são tomadas por estruturas intermédias e não por ele. Agradeço em nome dos muitos descontentes.

José João Correia Pereira