Os EUA já ocupam o segundo lugar na classificação mundial sobre o segredo bancário, associado com frequência à lavagem de dinheiro, à corrupção e à evasão fiscal, lamentou hoje a organização não-governamental Tax Justice Network (TJN).
“A subida dos EUA na classificação de 2018 faz parte de uma evolução inquietante. É a segunda vez que os EUA progridem neste índice [’Financial secrecy índex’ (Índice de Segredo Financeiro)], estabelecido todos os dois anos, constatou a TJN (Rede de Justiça Fiscal, em Português), que produz a classificação, em comunicado.
Em 2013, os EUA estavam em sexto lugar, antes de integrarem o trio da frente, ao ascenderem à terceira posição, em 2015. A TJN já criticava então a primeira potência económica mundial pela sua política de atrair investidores estrangeiros garantindo-lhes algumas formas de confidencialidade para fugir aos impostos no seu país de origem.
“A evolução da classificação (em 2017) explica-se por uma subida muito importante da parte de mercado dos EUA nos serviços financeiros, que não foi neutralizada por uma redução significativa do segredo bancário”, comentou a TJN.
Esta quota aumentou 14% em três anos, ao passar de 19,6% para 22,3%, especifica a organização.
Depois da crise financeira de 2008, multiplicaram-se campanhas contra o segredo financeiro e bancário, exigindo-se em particular que as empresas identificassem os seus verdadeiros proprietários.
Sob a pressão de Washington, os bancos suíços tiveram de pagar centenas de milhões de dólares de multas e identificar milhares de contas bancárias pertencentes a cidadãos norte-americanos, que procuravam fugir aos impostos.
“Se bem que os EUA sejam pioneiros na conceção de meios importantes para se defenderem contra a evasão fiscal no estrangeiro, não atacaram de forma séria o seu próprio papel na atração de fluxos financeiros ilegais e apoio à evasão fiscal”, estimou a TJN.
A organização sublinha “a inquietação real” com os efeitos negativos desta política no conjunto da economia internacional.
Este índice classifica 112 Estados. A Suíça continua a ser o país financeiramente mais opaco do mundo. As ilhas Caimão estão em terceiro lugar, seguidas por Hong Kong, Singapura, Luxemburgo, Alemanha e Taiwan. Portugal, através da Madeira, surge em 64.º lugar.
A informação está disponibilizada no sítio da organização na Internet, em https://www.financialsecrecyindex.com/.
