Cientistas estão a tentar criar plásticos mais ‘amigos’ do ambiente a partir de compostos orgânicos, como um solvente derivado de uma planta, segundo um estudo divulgado hoje na publicação Science Advances.
Uma equipa do centro de investigação de bioenergia Great Lakes da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, usou “gama-Valerolactona”, um líquido incolor, para desenvolver uma forma económica e rentável de produzir ácido furandicarboxílico, um composto químico precursor de um plástico renovável chamado polietileno-furanoato.
O processo de ‘fabrico’ utilizado começa com frutose, que é convertida em ácido furandicarboxílico num sistema solvente em que uma parte é constituída pelo líquido “gama-Valerolactona” e outra por água.
Para os cientistas, este processo tem a vantagem de não requerer ácidos minerais dispendiosos na catálise, não produz resíduos de sais e permite separar os cristais de ácido furandicarboxílico do solvente.
Empresas como a Coca-Cola, a Heinz e a Nike comprometeram-se a usar nas garrafas, embalagens e no calçado plástico feito a partir de plantas, cuja comercialização tem sido barrada pelos custos elevados de produção de ácido furandicarboxílico.
“O uso do solvente gama-Valerolactona resolve a maioria dos problemas de produção do ácido furandicarboxílico”, defendeu um dos coautores da investigação, Ali Hussain Motagamwala, citado num comunicado da Universidade Wisconsin-Madison.
De acordo com o investigador, “os açúcares [como o da fruta, a frutose] e o ácido furandicarboxílico são altamente solúveis neste solvente, que pode ser reciclado” e, assim, tornar-se mais rentável.
