Um consórcio europeu, do qual faz parte a empresa portuguesa Symington Family Estates, está a desenvolver um robô capaz de medir diferentes parâmetros do estado da vinha, de forma a avaliar precocemente o seu potencial e auxiliar a produção.

Com o robô VineScout, “acessível, fiável e fácil de operar”, vai ser possível monitorizar e mapear os índices de vegetação - que traduzem o estado de saúde da videira -, o estado hídrico e, sobretudo, parâmetros de rendimento e de qualidade, explicou à Lusa Fernando Alves, responsável da Symington para Investigação e Desenvolvimento Viticultura.

“Quando tomamos decisões ao nível da gestão de vinhas, temos que ter ferramentas que nos permitam segmentar as áreas onde pretendemos intervir, visto que o comportamento de uma parcela ou de uma casta não é exatamente o mesmo em todos os terrenos, tendo variações que importam medir”, indicou Fernando Alves.

No entanto, segundo referiu, é “extremamente difícil” conseguir medir certos parâmetros através dos métodos tradicionais, que passam por uma avaliação visual do comportamento da vinha.

De acordo com o responsável, existem no mercado ferramentas que avaliam de forma pontual diferentes estados da vinha e da forma como está a evoluir, mas que não possibilitam “uma cobertura global, quase que linha por linha”.

A utilização deste robô autónomo, que recorre à propulsão elétrica e à energia solar, vai permitir que as avaliações sejam “mais precisas”, possibilitando “segmentar uma parcela no seu todo, nas diferentes partes qualitativas”, disse ainda Fernando Alves.

Dessa forma, será possível delimitar zonas homogéneas de qualidade e intervir em áreas específicas, o que permite, por sua vez, “fazer a vindima de forma diferenciada” e “potenciar qualitativamente todos as uvas que estão a exploração”, acrescentou.

O protótipo do VineScout foi testado durante a última semana de agosto no terreno das vinhas da Coleção de Castas da Quinta do Ataíde da Symington, no Douro Superior, o que permitiu aos investigadores perceber a usabilidade do robô em contexto real, de forma a avançar para a próxima etapa de desenvolvimento.

Este projeto, que finaliza em 2019, está a ser desenvolvido por um consórcio do qual fazem parte a Symington, a Universitat Politécnica de Valencia e Universidade de La Rioja (Espanha) e as empresas Wall-YE Robots & Software (França) e Sundance Multiprocessor Technologies (Reino Unido).

O VineScout, coordenado pelo professor Francisco Rovira-Más, da Universitat Politécnica de Valencia, tem um investimento estimado de mais de dois milhões de euros, sendo que o contributo da Comissão Europeia está fixado em cerca de 1,7 milhões de euros, através do programa Horizonte 2020.