Se passar no seu quiosque mais próximo, nem que seja para tentar alcançar o euro milhões, irá deparar-se com inúmeras revistas de moda e entretenimento, nas quais a capa faz referência às conquistas pessoais ou profissionais de personalidades públicas. Contudo, estas fotos representam um objectivo inatingível para a maioria das pessoas.

Em consequência do culto do magro, dos corpos “photoshop”, das crenças do padrão de beleza imposto pela sociedade, faz-se crer que as mulheres magras são mais felizes e ainda que, a maioria das mulheres, adorsaria acordar magra de um dia para outro.

A preocupação pela perda de peso deve ser real. Do ponto de vista médico, o excesso de peso traduz-se num aumento do risco de doenças cardiovasculares, osteoarticulares e neoplasias. Contudo, a pressão imposta pela sociedade pode levar, na ausência de controlo e acompanhamento, a perturbações tais como anorexia ou bulimia.

O fenómeno de medo de engordar, género de uma “lipofobia”, está patente em todos os formatos. Por isso multiplicam-se as dietas, em menos tempo para atingir o seu objetivo.

Tendo percorrido uma grande quantidade de artigos ou comentários sobre este tema há um aspeto comum: verifica-se uma banalização das diferenças fisiológicas e comportamentais no discurso das novas dietas. Mas o ser humano tem um estilo de vida próprio, com períodos de alimentação diferentes, horários, cargas de trabalho diferentes. Assim, como poderá ser possível uma dieta universal? Mais, os modelos de corpos belos sempre existiram, mas o modelo de corpo actual, não pode ser real! Trabalhar 8 horas diárias, por vezes em regime de turnos e com perda de período nocturno, torna o que vemos anunciado em projetos de concretização impossível.

Em jeito de provocação aos meus colegas nutricionistas e dietistas gostaria de ver algum comentário vosso acerca do tema alimentação cronobiológica. Recentemente estive presente numa formação de 2 semanas subordinada ao tema. Do que pude assimilar, a cronobiologia é o ramo da ciência dedicado ao estudo da biologia em função do tempo, estudando os ritmos e os fenómenos físicos e bioquímicos cíclicos dos seres vivos. O nosso relógio interno ou relógio biológico estabelece a relação entre o nosso meio interno e o ambiente. Assim, a alimentação cronobiológica é a adaptação do relógio biológico à nutrição...

Os planos nutricionais de acordo com a cronobiologia têm por objetivo manter a sincronia dos relógios biológicos de todos os tecidos, favorecerem a saúde, bem como a perda ou manutenção do peso. A actividade física associada a nutrição cronobiológica também deve ser feita na hora certa e de acordo com o relógio biológico de produção de neuromediadores.

Será este conceito, pelo suporte na diversidade de horários, actividades quotidianas a melhor forma de realizar uma dieta com perda e manutenção do seu peso ideal? Fica a pergunta, com a certeza porém que neste, como em outros temas da saúde, as melhores soluções não passam pela aplicação mecânica de fórmulas que vendem resultados numa proporcionalidade inversa ao seu tempo de implementação.