Após o fatídico acidente acontecido durante as festividades religiosas no Monte, fiquei sensibilizado e tocou-me profundamente os sentimentos, pois a dor da perda de qualquer pessoa querida é impossível de ser descrita, porque o sentimento nunca estaria adequadamente traduzido, portanto, não vou falar sobre isto.

Depois de alguma ponderação, a opção foi escrever sobre alguns dos meus pontos de vista, na vertente de reflexão, sobre a “propositada” falta de reconhecimento dos profissionais da PSP que prestam serviço no Comando Regional por parte da maioria dos organismos e das entidades públicas e privadas na nossa Ilha.

Com esta abordagem, não tenho pretensão de criar urticária a ninguém, não que isso me preocupasse, mas porque acho este assunto demasiado sério e responsável, onde muitos e todos devem construir ideias, na busca das soluções integradas e sustentáveis, sem andarem de costas voltadas.

Não deixa de ter a sua graça e a sua pitada de ironia! Um Corpo de Policia, com 750 homens e mulheres que no dia 1 de setembro comemora o seu aniversário, dos 139 anos a servir a Região Autónoma da Madeira, nunca ter sido agraciado publicamente com as mais altas condecorações por nenhuma das suas organizações

Já agora, como são construídos os critérios de identificação do mérito e do reconhecimento que determinam a atribuição de insígnias e distinções públicas destas instituições? Atrevo-me a pensar que o problema não está na ausência de figuras relevantes, mas nos critérios que são utilizados para definir o reconhecimento público.

Mas onde está esse reconhecimento público do Comando? O argumento de falta de verbas públicas para o efeito, cai por terra, quando no passado recente, muitas organizações sediadas nesta ilha foram novamente agraciadas e reconhecidas, e nada tenho contra a sua existência, pois são organismos com excelentes profissionais e muito competentes, que cumprem a missão que lhe foi atribuída. Alguns questionam, porque o Comando não consta dessa lista é porque não existem figuras que mereçam tal distinção.

A estes só resta devolver a questão inicial, quais são os critérios? Em que áreas se procuram as instituições a distinguir? Por ventura não se homenageiam mais bombeiros do que militares? Mais médicos do que enfermeiros? Mais empresários do que trabalhadores? E os polícias?

Apesar desta discrepância, a desigualdade entre instituições não é uma questão estatística, mas o resultado de preconceitos e estereótipos, de ideias pré-feitas que condicionam o pensamento, naturalizam a diferença e explicam esta ingratidão e injustiça.

E pior ainda é quem fala dos Polícias e do Comando Regional sem conhecimento de causa, fala das coisas com leviandade, sem qualquer conhecimento da realidade! Da realidade triste que é sair de casa, deixar esposa, filhos pequenos sem a certeza de um retorno no final de cada dia, com uma paixão “incompreendida”. E no fim receber “as pedras da mão” de quem não sabe o que diz.

Combater esta desigualdade de reconhecimento exige que reflitamos sobre o modo como pensamos o lugar destas instituições, nos diferentes contextos dos problemas e nas tragédias que a Madeira já viveu, seja na cidade do Funchal ou noutros locais, na serra ou no campo ou em qualquer lugar, a verdade é que a polícia está sempre presente.

Reconhecer exige conhecimento e este implica desinstalar o pensamento do “sempre foi assim...”. Mas que sejam outros a responder, que não os próprios polícias ...